(artigo publicado no Correio do Povo de 21/02/10)
Mostrando que o presidente da maior potência do mundo não pode se intimidar diante de um forte opositor, mas também que tem que ter cuidado diplomático no trato com esse opositor, o presidente Barack Obama recebeu nesta quinta-feira, na Casa Branca, o líder exilado do Tibete, Dalai-Lama. A oposição ao encontro vinha do governo chinês, que não aceita o movimento independentista tibetano.
O Tibete é mais um exemplo de país subjugado pela força de um gigante. O que desde o século VII se constituiu num poderoso reino e centro do lamismo, religião baseada no budismo, passou a ser objeto de cobiça da China a partir do século XVII. O país chegou a conquistar sua independência em 1912, mas esta só durou até 1950. Depois de vitoriosa na China, a revolução comunista de Mao Tsé-tung estendeu os tentáculos para o Tibete. E desde então o país não teve mais sossego. Foi anexado como província da China. E quando se revoltou em 1959 foi sufocado pelo tacão chinês e, a partir daí, o Dalai-Lama foi viver no exílio na Índia.
O atual Dalai Lama, que já foi ganhador do Prêmio Nobel da Paz, como Obama, vem desenvolvendo pelo mundo uma campanha de apoio para o seu movimento, que agora diz não ser mais por independência, mas por autonomia. Como percebe que a independência é algo impossível no atual momento, porque ninguém se atreverá a se contrapor à China, busca o que é mais viável. E foi justamente nesse sentido que Obama conduziu a conversa. Elogiou o “caminho do meio” adotado pelo Dalai-Lama, dizendo que esta seria uma forma de preservar os interesses chineses, de segurança e integridade territorial, e os do Tibete, de proteção e preservação de sua cultura, religião e identidade nacional. Ou seja, embora os chineses não tenham gostado do encontro, com a postura adotada pelo Dalai-Lama ficou mais fácil para Obama dar apoio ao movimento dos tibetanos e pressionar a China. A quem não pode descontentar, pois se trata do maior credor dos EUA.
DIÁRIO DOS BÁLCÃS
Estou seguindo hoje para a Itália de onde, cruzando o Adriático, irei visitar os Bálcãs. Irei percorrer países que até a década de 1990 se constituíam em repúblicas que compunham a Iugoslávia. A desintegração do país, que foi conduzido sob o comando firme de Josip Broz Tito até a sua morte, em 1980, foi objeto de livro que publiquei através da Editora Novo Século – “Iugoslávia – guerra civil e desintegração”. Esses países foram palco de um guerra cruel, com características étnicas e religiosas, que trouxe de volta dois fantasmas que se acreditava tinham sido sepultados junto com a Segunda Guerra: o campo de concentração e o extermínio de comunidade religiosa.
Hoje esses países vivem novos tempos. A maioria já integrada à Europa e promovendo o que hoje é um grande impulsionador de negócios: o turismo. E neste particular a Costa da Dalmácia, na Croácia, é apontada como um dos mais belos pontos a serem visitados. E é a partir dali que estarei fazendo minhas observações sobre o que é a região hoje e que estarei contando aqui no Correio do Povo através do Diário dos Bálcãs.