Ao encerrar nesta quarta-feira minha visita à Colômbia, tive grande preocupação de não conseguir chegar ao aeroporto de Bogotá para tomar o vôo, em função da quarta grande manifestação que tomava conta da cidade. Mas, foi mais uma manifestação ordeira, como tem a sido a maioria no país, com o fechamento de algumas vias principais, porém, sem prejudicar pontos estratégicos. Por trás da manifestação, liderada por grupos de trabalhadores, estudantes e indígenas, duas questões: uma, a apuração da responsabilidade pela morte do estudante Dilan Cruz, de 18 anos, em 25 de novembro. Outra, as políticas econômicas e sociais do governo de Ivan Duque, que assumiu há 16 meses. Ele que é um seguidor de Álvaro Uribe, um ex-presidente direitista que, inclusive, se apôs ao acordo com as Farc, ou seja, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas.
Pois este acordo tem sido referendando pela população e por lideranças das mais diversas áreas como uma grande conquista, que trouxe a paz para o país, depois de mais 50 anos de conflitos, que mataram mais de 250 mil pessoas e desalojaram mais de 7 milhões. A luta agora é por questões que estão presentes não só no país, como também no Brasil e outros países da América Latina: a desigualdade social e a corrupção. É novo acordo que está sendo buscado.
Apesar de ser a quarta economia da América Latina e ter um índice de crescimento acima da média regional, a Colômbia é a nação mais desigual entre os membros da OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, da qual o Brasil quer passar a fazer parte. O índice de desemprego é de 10,6%, porém a atividade informal atinge 50% da população. Vende-se em carrocinhas na rua desde alimentos até componentes de celulares. E como nos demais países da região, outro componente que está presente nas manifestações é o combate à corrupção. Que também é generalizada, presente em todos os setores. E ali também foi pilotada, em grande parte, pela nossa Odebrecht.
Independentemente das questões políticas, a Colômbia é um país que se destaca pela educação de seu povo. Em todos os lugares você é sempre tratado com muita educação. Tem muita beleza, bons restaurantes, e a segurança hoje já é muito boa, pois passou o tempo do domínio de traficantes como Pablo Escobar. E, indo a Bogotá, não dá para deixar de enfrentar um desafio: subir ao Monserrate, monte situado atrás da catedral, com 3.150 metros de altura, mil metros a mais do que a cidade. Isto é feito através do funicular, uma espécie de bondinho que sobe quase que verticalmente, com uma inclinação de 80%. Mas a vista total da cidade lá de cima é imperdível.