A China acaba de bater os EUA como maior mercado para os produtos brasileiros. De acordo com dados do nosso Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, só neste primeiro trimestre os chineses importaram 3,4 bilhões de dólares em produtos brasileiros, o que dá um acréscimo de 62% sobre igual período do ano passado.
O auspicioso fato para a economia brasileira não chega a ser uma surpresa no presente cenário internacional, em que a China vem se constituíndo no país que mais cresce no planeta. Cresce e vai deixando para trás potências econômicas como Alemanha e Reino Unido. Já está atrás apenas de EUA e Japão. Mas vem passando a perna na maior potência mundial. A China é hoje o maior credor da dívida pública dos EUA. Algo em torno de 1,4 trilhão de dólares. As reservas do país são trilionárias e o reflexo de seu crescimento se dá nos bancos. Desde setembro, os três maiores bancos do mundo em valor de mercado passaram a ser chineses. O poderoso J P Morgan Chase foi superado pelo Banco Industrial e Comercial da China, que se tornou o número 1 em depósitos, com o equivalente 1,3 trilhão de dólares.
Assim, com o bolso forrado em reservas, a China tem se voltado para seus vizinhos da Ásia, e também países da África e da América Latina, como faz com o Brasil. Em meio à crise, o governo chinês resolveu injetar 600 bilhões de dólares na economia, implementando os setores da construção civil, dos transportes e da infraestrutura. Daí o aumento das compras brasileiras.
Só para se ter uma idéia, vamos a alguns números. Não se pode esquecer que tudo na China envolve números muito maiores do que outras partes do mundo. Sua população, por exemplo, é de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Desde que começou sua expansão, nos anos 80, o país já conseguiu tirar da pobreza 400 milhões de cidadãos. Apesar disto, há outros tantos ainda estão na situação de pobreza. O país que cresceu a uma média de 10% na última década, está apresentando em 2009 um índice de 6,1%. O que é de fazer inveja a qualquer país. Mas é insuficiente para atender a demanda interna por empregos. Para atender os desempregados e o contingentede jovens que entra anualmente no mercado, o país precisa crescer, no mínimo, a 8%. Daí os investimentos, com planos a médio prazo. Até 2025, o país construirá 28 mil quilômetros de trilhos de metrô; 5 milhões de edifícios, o que equivale a 40 bilhões de metros quadrados de área construída. E ainda serão pavimentados 5 bilhões de metros quadrados de estradas.
Com esse seu avanço no cenário internacional, a China procura também se rearmar. Não que o país tenha pretensões bélicas, mas para dar respaldo ao seu crescimento. Para isto vai aumentar em 15% o seu orçamento militar. Isto significa que a verba para o setor ficará em torno de 130 bilhões de dólares. Um valor ainda muito distante do gasto dos EUA, que chega a 515 bilhões de dólares, sem contar o dinheiro das guerras. Mas um valor muito acima do que gastam seus parceiros do BRIC, como a Rússia, 50 milhões, ou Brasil, apenas 12 bilhões.
Enfim, são os novos tempos desse país que se tornou o principal ator mundial.