Transição e temor na Coréia do Norte

19.12.2011

A morte do ditador norte-coreano Kim Jong-il trás preocupações sobre o futuro das relações naquela parte da Ásia, tendo em vista os constantes confrontos que têm acontecido entre as duas Coréias. O mais grave deles, nos tempos recentes, aconteceu em março do ano passado, quando a Coreia do Norte de lançou um torpedo que causou o naufrágio do navio sul-coreano Cheonan em uma região disputada do Mar Amarelo. Uma investigação internacional sobre as causas do afundamento do Chenoan concluiu que um submarino norte-coreano disparou um torpedo contra a embarcação. O afundamento da coverta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do Mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da guerra entre as duas nações, em 1953. O caso aumentou a tensão na península coreana. Vale lembrar que os dois países seguem tecnicamente em guerra, porque não houve a assinatura de um acordo de paz ao longo de todo este tempo, desde que terminou o enfrentamento militar, em 1953.
Um confronto naquela região não interessa a nenhuma das partes e, muito menos, às potências que dão sustentação militar a cada uma das Coréias. Os EUA mantém 28 mil soldados na Coréia do Sul e a China sempre respaldou as ações da Coréia do Norte. Ao longo de muito tempo as divergências entre as duas Coréias eram o reflexo das diferenças entre americanos e chineses. Hoje, no entanto, Washington e Pequim estão muito próximos um do outro em seus interesses globais. São dois grandes parceiros comerciais e maior parte dos títulos da dívida pública está de posse da China. Este novo relacionamento entre EUA e China foi reforçado, recentemente, com a visita a Pequim da secretária de Estado Hilary Clinton. Então, os dois principais apoiadores tratarão de evitar o confronto, que também não interessa para as Coréias. De qualquer maneira, todos estão de olho no que irá fazer o novo homem forte da Coréia do Norte, Kim Jong-un.
O governo da Coréia do Norte é controlado por uma dinastia ao estilo monárquico, com o poder passando de pai para filho. O primeiro grande líder foi Kim Il-sung, que assumiu ao fim da guerra, em 1953, e governou com mão de ferro até sua morte, em 1994. Assumiu então o filho Kim Jong-il, que acaba de morrer. Antes, porém, ele já havia passado o bastão para o seu terceiro filho, Kim Jong-un, de 28 anos.

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