Obama e o lobby das armas

26.11.2011

– j.soares@cpovo.net –
“Após dez anos de cortes, teremos as menores forças terrestres desde 1940, o menor número de navios desde 1915 e a menor Força Aérea da História”. A declaração é do secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, indignado com o corte de US$ 454 bilhões, ou 9%, no orçamento da pasta.
O choro é inerente a um setor que sempre foi privilegiado pela política externa norte-americana, que é de fazer guerra em alguma parte do mundo.
Obama herdou um país que entrara em recessão em 2007. Conseguiu tirá-lo dessa situação no segundo semestre de 2009, mas viu a situação se deteriorar novamente em 2011. Para tirar o país da crise naquela ocasião, Obama injetou US$ 470 bilhões na economia. Conseguiu fazer o PIB crescer em cerca de 2,5%, mas não resolveu um problema crucial do país: o desemprego. Este continua batendo nos 9,1%. E, com este índice, é difícil pensar em reeleição. Agora, para tentar amenizar a situação, foi criada uma comissão no Congresso, composta por seis democratas e seis republicanos, para buscar uma solução alternativa ao corte de US$ 1,2 trilhão que terá que ser feito no orçamento a partir de janeiro de 2013. Não houve consenso, porque os republicanos não estão a fim de ajudar Obama neste momento. Querem é vê-lo derrotado no pleito do ano que vem. Se, por ventura, ele vencer, aí então poderão reestudar o assunto. Mas até a eleição devem manter este posicionamento.
O presidente, no entanto, ainda tem uma carta na manga. O seu projeto de desoneração da folha de pagamentos, que é um dos principais pontos da Lei de Empregos. Trata-se de um estímulo às empregas para contratarem. Aquelas que gastam até US$ 5 milhões em salários por ano e que fizerem um número x de contratações terão uma redução de 50% nos impostos. Ou seja, é o Estado abrindo mão de arrecadação, por um lado, mas gerando emprego e, como tal, arrecadando por outro lado, em decorrência do consumo. Na sua estratégia de amenizar a questão do emprego, Obama também decidiu estender o seguro-desemprego a um custo de US$ 49 bilhões, modernizar escolas com gasto de US$ 30 bilhões e investir mais US$ 50 bilhões em infraestrutura de transporte.
Todos estes, no entanto, parecem gastos pequenos frente ao corte de quase meio trilhão de dólares com a Defesa. Porém, é preciso salientar que somente na guerra do Iraque o gasto chegou a um trilhão de dólares. E para que? Para atender os interesses das corporações do petróleo, das armas e da construção. Dentro da estratégia que John Perkins denominou de “Assassino Econômico”, ou seja, como os Estados Unidos interferem nos países. Bater-se contra esse lobby será um desafio muito maior para Obama do que encontrar estratégias de gerar empregos.

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