Peruanos entre Keiko e Humala
Os resultados preliminares da eleição deste domingo no Peru estão apontando dois fatos. Um, já esperado, que haverá segundo turno, pois nenhum dos candidatos conseguiu 50% mais um dos votos. Outro, que estabeleceu-se uma polarização entre esquerda, com Ollanta Humala, e direita, com Keiko Fujimori. E pode-se acrescentar ainda um terceiro fato para o período que demandará até o segundo turno, que é a necessidade de o centro se posicionar. E, por centro, entenda-se o economista Pedro Paulo Kuczynski, que ficou em terceiro lugar na votação, e o ex-presidente Alejandro Toledo, que ficou num vexatório quarto lugar.
É muito possível que se repita o que já aconteceu na última eleição, quando o centro e a direita se uniram em torno do nome do atual presidente Alan Garcia para não dar a vitória ao esquerdista Humala. Embora tenha havido um racha entre Toledo e Kuczynski, que chegou a ser seu ministro de Economia e seu primeiro-ministro, enquanto governou o Peru, de 2001 a 2006. Kuczynski não só se negou a retirar sua candidatura em favor de Toledo, como disse que, em caso de ficar fora do segundo turno, apoiaria Keiko.
Assim é que restará para Humala se aproveitar desta divisão e tentar cooptar Toledo. Para isto ele já tentou até se distanciar da imagem de aliado de Hugo Chávez. De qualquer forma, os peruanos vão ter que escolher no segundo turno entre a filha de um presidente que foi corrido por causa da corrupção e um militar da reserva, esquerdista, que moderou seu discurso para tentar imitar Lula e chegar à presidência.
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