Um ano do golpe em Honduras

28.6.2010

Hoje está completando um ano o golpe de Estado que detonou Manuel Zelaya do poder em Honduras. Desde então, a única coisa que mantém todos os hondurenhos unidos é a sua seleção de futebol, que se classificou para o mundial da África, mas que já foi para casa. Casa que o presidente Porfírio Lobo, eleito em novembro do ano passado, tenta manter em ordem, apesar do boicote de alguns países, como o Brasil e da Organização dos Estados Americanos.
O golpe em Honduras foi uma das questões mais controvertidas dos últimos tempos no âmbito regional. Zelaya foi destituído pelo Congresso e pelo Judiciário, porque iria realizar no dia seguinte um plebiscito que violava a Constituição. O problema, no entanto, foi que os militares ao invés de prender o presidente para que fosse levado a julgamento, o seqüestraram e o largaram na Costa Rica, violando a Constituição do país que não permite o desterro. Assumiu o governo o presidente do Congresso Roberto Micheletti. Depois de um certo tempo, Zelaya voltou ao país e refugiou-se na embaixada do Brasil, que defendeu o seu direito de voltar à presidência.
Não houve acordo e o impasse foi resolvido com a eleição de Lobo, um fato que não é aceito por muitos países, inclusive o Brasil. Como diz Kevin Casas-Zamora, pesquisador do Instituto Brookings e ex-vice-presidente da Costa Rica, “a esta altura é tão absurdo quanto hipócrita continuar negando reconhecimento ao governo de Lobo, nascido de eleições bem mais corretas que as do Irã, que países como Brasil e Venezuela se apressaram a aceitar”.

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