Briga no Parlamento revela divisão da Ucrânia

28.4.2010

O Parlamento da Ucrânia foi palco nesta terça-feira de cenas de pastelão, com o presidente da casa tendo que abrir um guarda chuva para se proteger dos ovos que estavam sendo jogados. Isto sem contar os socos e puxões entre os parlamentares e o lançamento de bombas de fumaça. A tumultuada reunião do parlamento era para aprovar ou não o acordo assinado dia 21 pelo presidente Viktor Yanukovich com o presidente russo Dmitri Medvedev, prorrogando a permanência de bases russas em território ucraniano até 2042. Essa presença se dá na Base de Sevastopol, no Mar Negro, onde estão estacionados 50 navios de guerra, quase uma centena de aviões e 18,5 mil soldados, além de técnicos e seus familiares.
Para aprovação do acordo no Parlamento de 450 integrantes eram necessários 226 votos. Foram conseguidos 236. Mas ficou marcada a divisão que se estabeleceu na Ucrânia desde o fim da União Soviética. O país sempre foi muito atrelado à Rússia e era o principal parceiro russo ao tempo da União Soviética. Com o término do comunismo, boa parte da nação passou a trabalhar pela inserção do país na União Européia. Teoricamente, passar para a influência do Ocidente significaria mais democracia, enquanto que a adesão a Moscou equivaleria a um regime com um certo autoritarismo. Há cinco anos, o país viveu o que foi chamado de “A Revolução Laranja”, quando o povo foi às ruas pedir mais democracia, tendo em vista que Kiev tem a tradição de seguir a linha de Moscou. Na extensão da revolução, houve a vitória de Viktor Yushchenko, que pretendia levar a Ucrânia para os braços do Ocidente, aderindo inclusive à Otan. Seu governo foi um fracasso, com acusações de fraude e boicote pela Rússia ao fornecimento de energia. Junto com ele afundou a primeira-ministra Yulia Tymoshenko, que destacou-se mais pelo penteado, sempre com uma trança atravessando a cabeça de lado a lado. Assim, na eleição de fevereiro último venceu o atual presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich, que está promovendo este retorno na ligação com a Rússia. Até certo ponto Yanukovich está sendo prático, porque a Ucrânia é totalmente dependente do gás russo para se manter funcionando. Há poucos anos, quando o então governo pró-Ocidente ameaçava aderir à Otan, a Rússia cortou o fornecimento de gás e provocou o caos na Ucrânia. Agora, Yanukovich não só garante o fornecimento do combustível, como também o consegue por um preço 30% abaixo do valor de mercado. Funcionou o poder de barganha da Rússia.

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