Iraque tenta sedimentar democracia

8.3.2010

Depois de um giro de duas semanas pelos Bálcãs, estou de volta à base, mas, como sempre, com a antena voltada para o mundo. A atenção hoje é para o Iraque que realizou eleições neste domingo para renovar as 325 cadeiras do Parlamento. A segunda eleição desde a invasão americana de 2003. E como a de 2005, a eleição de ontem foi permeada por atentados terroristas, praticados em sua maioria por fanáticos suicidas. E são justamente estes fanáticos que não permitem a estabilidade do país. Os terroristas tem feito de tudo para minar os esforços de reconstrução do país e de implantação da democracia. Tem atacado fundamentalmente as organizações de segurança, como quartéis e delegacias. E o fazem porque sabem que ali estão se estruturando as forças iraquianas que estão sendo preparadas para substituir as americanas.
Tudo isto dificulta o cumprimento do objetivo do presidente Obama de retirar as forças dos EUA do território iraquiano até o fim de 2011. Mas, por outro lado, o grande comparecimento de iraquianos às urnas mostra que os mesmos estão dispostos ma sedimentar o processo democrático no país. Uma tarefa dura, em meio a um Oriente Médio pontilhado de ditaduras. Mas uma tarefa corajosa dos iraquianos, que não se subjugam à minoria que não quer a paz.

GOLPE NA AL QAEDA
As autoridades do Paquistão mostraram que estão atuando efetivamente no auxílio aos EUA na sua caça ao terror no Oriente Médio. Prenderam o porta-voz da Al Qaeda, nascido nos EUA, Adam Gadahm. A prisão se deu no mesmo dia em que ele apareceu num vídeo pedindo aos muçulmanos norte-americanos que realizassem ataques em seu próprio país. Aparições nesse estilo eram uma constante na vida de Gadahm, fazendo ameaças e provocações ao Ocidente. Em 2006, ele fora condenado por um tribunal norte-americano por traição à pátria. Aliás, o primeiro cidadão norte-americano a enfrentar tal acusação em mais de 50 anos. Havia uma recompensa de 1 milhão de dólares por informações que levassem à sua captura.
O fato de as autoridades do Paquistão terem colocado a mão sobre liderança tão importante para o terror, coloca o país em estado de alerta, pois, seguramente, os terroristas da Al Qaeda irão tentar alguma ação retaliatória. Ou seja, é o momento de o serviço de informações norte-americano dar proteção aos paquistaneses.

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