DIÁRIO DOS BÁLCÃS (final)
Uma visita a dois centros das artes
Encerrei a visita aos Bálcãs cruzando a fronteira da Eslovênia para a Itália. Mas, antes de ir a Roma, para entregar o carro e retornar ao Brasil, uma passagem mais uma vez por dois patrimônios da humanidade. Veneza e Firenze ou, como é dito em português, Florença. Em Veneza é sempre importante recordar a história desta cidade que foi o explendor das artes e do comércio no século XV e que conserva no interior dos seus prédios todo o símbolo da riqueza da época. É sempre bom rever a catedral de São Marcos e os palácios que abrigavam os detentores do poder da época. Porém, ao mesmo tempo, tem-se a triste constatação do quanto é difícil conservar esta cidade que, por ter sido construída sobre um terreno pantanoso, está afundando. E mais, muitos de seus prédios estão se deteriorando por falta de conservação. O que se percebe é que, por maior que seja a mobilização da comunidade local, do governo italiano e mesmo da Unesco, não há dinheiro suficiente para atender a toda a demanda. Especialmente, porque o mar é implacável, com o avanço de suas águas e com a maresia, ações que vão corroendo os prédios. Mesmo assim, Veneza segue sendo um cenário de grande atrativo, evocando uma época de grandes negócios e grandes amores, cujos mistérios são escondidos por suas tradicionais e bem trabalhadas máscaras.
Já o outro tesouro da humanidade, Firenze, por não ter o problema da maresia, apresenta muito melhor estado de conservação. Voltar a passear por suas ruas é voltar a ter contato com o lugar que foi o berço do Renascimento. A cada passo se tropeça com uma obra de arte, cujo explendor maior é a Igreja de Santa Maria del Fiori. E é sempre importante uma entrada na Galeria del Uffizi para rever as obras primas de Boticelli, “A Criação de Vênus” e “A Alegoria da Primavera”, que para mim se constituem no destaque maior entre a infinidade de obras de grandes mestres que ali estão reunidas.
Enfim, em meio ao novo conhecimento adquirido no Bálcãs, é sempre bom renovar a vista sobre o tradicional já conhecido.
DÍÁRIO DOS BÁLCÃS (final)
Da desintegração para o desenvolvimento
As duas semanas dispendidas na visita aos Bálcãs, com passagens pela Itália, serviram para aprimorar o conhecimento sobre uma região, que eu já imaginava bela e próspera, mas que superou a expectativa. Croácia e Eslovênia são dois lindos países, habitados por povos cultos que sabem valorizar o seu patrimônio histórico, assim como promover o seu desenvolvimento de forma ordenada e segura. São povos que saíram de uma guerra recente, quando conquistaram sua independência, e que saíram também do regime repressivo do comunismo para a democracia e a economia de mercado. Um deles, a Eslovênia, já faz parte da União Européia e já aderiu ao euro. A Croácia se prepara para, a partir de 2011, também aderir a ambos. Hoje ainda usa a com moeda, a kuna, da qual sete unidades correspondem a um dólar.
É preciso registar que, ao mesmo tempo em que a gente se deslumbra com o desenvolvimento desses povos, a gente se apavora pelo fato de tão recentemente terem estado em guerra, que envolveu também a Sérvia, a Bósnia e outras repúblicas que compunham a Iugoslávia. É chocante ver no memorial as fotos dos jovens soldados que pereceram, assim como choca também ver uma cidade como Dubrovnik, que é tombada pelo Unesco, ter sido alvo de bombardeios. Menos mal que tudo isto parece ter sido superado em nome de um novo caminho que esses povos tomaram.
Hoje, viaja-se por esses países com absoluta segurança, pois as estradas são boas e bem sinalizadas. Tendo-se, como já relatei, a alternativa da auto-estrada ou do trajeto bucólico. Agora, o grande avanço para a segurança e tranquilidade para quem viaja é o GPS. Meu parceiro Flávio Prenna, que providenciou o sistema para nós, ficou exultante com a conquista. E não é para menos, pois você sai, por exemplo, de um hotel na cidade de Dubrovnik e programa o aparelho até o hotel que você vai na cidade de Zadar, distante mais de 250 quilômetros. O aparelho vai-lhe dando detalhe por detalhe por onde andar. “A 400 metros, dobre a direita” ou “a 200 metros rotatória, tome a segunda saída” e por aí vai.
Quanto à reserva de hotel, é outra barbada, graças à internet. Entra-se no “E-booking” e tem-se a cidade que se quer, com o elenco de hotéis, para se entrar no site do hotel e verificar preço de diária e instalações, além da opinião de quem já usou o referido hotel. Assim, tanto se pode fazer a reserva antecipadamente quando se tem o trajeto definido, ou mesmo ao longo do caminho. A propósito, todos os hotéis tem internet, com sistema wire-less, e de graça. E por uma diária padrão, que não é alta, tem-se em todas as cidades hotéis de um mesmo padrão. Aliás, este é modelo europeu ocidental que já foi adotado no Leste.
Enfim, viajar continua a ser algo muito gratificante, ainda mais quando se une o útil ao agradável, como tenho feito ultimamente. Consigo ter o lazer da viagem e o incremento do conhecimento para o trabalho profissional. Lembro para quem quiser saber mais sobre a história desses povos que escrevi o livro “Iugoslávia – guerra civil e desintegração” pela Editora Novo Século.

Li este teu artigo enquanto tu ainda cruzavas o Atlântico.
Por incrível que pareça, tu estás escrevendo bem. Acho que vou ver se acho teu livro sobre a Iugoslávia.
Até a próxima segunda-feira.
Comment por Flavio — 7/3/2010 @ 10:56 am