DIÁRIO DOS BÁLCÃS

5.3.2010

Liubliana, perto da perfeição
Jurandir Soares
De Zagreb segui para Liubliana, capital da Estônia, outro país que compunha a antiga Iugoslávia. Menos de 100 quilômetros separam as duas capitais, ligadas por moderna auto-estrada que ainda não foi totalmente finalizada. Há cerca de 20 quilômetros a serem concluídos. A fronteira está a cerca de 20 quilômetros de Zagreb e ali, de um e de outro lado, tem-se o já constatado bom atendimento por parte dos guardas fronteiriços. A paisagem ao longo do trajeto é maravilhosa. Apesar de ser inverno, o verde predomina pelos campos, pontilhados de casas dos agricultores. Casas estas muito bem estruturadas, de alvenaria, com dois pisos e aquecimento central. E já apresentando melhores condições que as similares da Croácia. Ao fundo, as montanhas cobertas de neve. Aliás, os resquícios da neve caída durante o forte do inverno ainda estão presentes, não só na paisagem do campo mas também das cidades. Mas nesta época a temperatura já é amena, variando entre os 10 graus à noite e os 15 durante o dia.
Através da bem sinalizada auto-estrada chegamos a Liubliana, a capital e maior cidade da Estônia, tendo um sexto da população de 2 milhões de habitantes do país, cuja área territorial é de 20 mil metros quadrados, ou seja, menor que o município de Alegrete. Pequeno, mas de uma beleza que logo salta aos olhos.
Passear pela ruas de Liubliana é desfrutar agradáveis momentos em meio a gente civilizada, culta e bonita. Ao parar na rua Copova, que é a rua do comércio, lembrei os velhos tempos da nossa então sofisticada Rua da Praia. Ao longo da rua há lojas de grife, magazines, bares e cafés. E pelo seu calçadão circulam lindas mulheres, em sua maioria louras de olhos azuis, e todas muito bem vestidas. E como boa parte do centro da cidade é vedada aos automóveis, muita gente circula de bicicleta. Assim, é possível ver senhoras e senhores bem vestidos pedalando suas bicicletas, rumo à casa, ao trabalho ou ao lazer. Em qualquer lugar que se vá se é atendido com muita cortesia. E todo mundo falando inglês, além do esloveno, evidentemente. Os eslovenos assim como os croatas sabem que praticam um idioma de difícil entendimento para os estrangeiros. Assim, tratam de aprender o inglês para se comunicar. E daí a surpresa, desde a camareira do hotel até o manobrista do estacionamento, todos falam inglês.
Amanhã falo mais da Eslovênia, porque descobrir estas terras daqui significa encontrar alguma coisa perto da perfeição.

04/03/10
DIÁRIO DOS BÁLCÃS
Eslovênia tem 90% do transporte por ferrovia
Sigo hoje ainda falando sobre Liubliana, a capital da Eslovênia por ter sentido nesta cidade tudo de bom que uma comunidade por ter. Como a maior parte grandes cidades européias, Liubliana é cortada ao meio por um rio, que leva o seu nome. Ao longo de ambas as margens do rio, na parte central da cidade, estende-se um calçadão, pontilhado de lojas, bares, restaurantes e galerias de arte. Assim, é possível ver as mesas colocadas sobre a calçada repletas de pessoas, tomando um café, uma cerveja ou uma taça de vinho e curtindo o sol de inverno. Algo de dar inveja a nós porto-alegrenses que temos este imenso Guaiba e não aproveitamos praticamente nada dele. Liubliana é uma capital mas tem qualidade de vida de cidade do interior. Trânsito seguro e tranquilo, respeito ao pedestre e ao ciclista.
Falando em trânsito, o deslocamento pelo interior do país é outra coisa de dar inveja. Se o cidadão tem pressa, desloca-se por modernas auto-estradas, pagando para ir da capital até a fronteira apenas 5 euros de pedágio. Se não tem pressa, tem caminho alternativo, por boas estradas asfaltadas, que passam por dentro das pequenas cidades do campo. Um cenário bucólico, que nos remete a um sistema de vida diferenciado, que é o do meio rural.
E mais um diferencial com relação ao Brasil. A acompanhando pela imprensa local, deparei-me com uma entrevista do diretor da Slovenske Zeleznice, ou seja, a Ferrovias Eslovenas. Pois o cidadão, chamado de Goran Brankovic, revelou que 90% do transporte do país é feito através de ferrovias. A propósito, tive oportunidade de ver, quando me deslocava para o sul do país, um comoboio ferroviário carregado de automóveis. Levava ali, seguramente, a carga correspondente a de umas 30 “cegonhas”. Ou seja, são 30 enormes caminhões que deixam de circular pela rodovias do país, o que implica em menor risco de acidentes e melhor conservação das estradas. O diretor da empresa informou que está negociando com a União Européia financiamentos para ampliar e modernizar a rede ferroviária.
A propósito de União Européia, a Eslovênia entrou para o bloco a 1º de janeiro de 2004 e em 2007 já aderia ao euro, a moeda comum da comunidade. Algo que, diga-se de passagem, facilita em muito a vidade quem viaja, pois dispensa algo troca constante que se tinha que fazer em cada país que se entrava. Embora a maior parte dos países da UE tenha fechado 2009 com crescimento negativo, em função da crise mundial, a Eslovênia conseguiu fechar o ano com um crescimento de 1,8%, graças, especialmente, ao incremento de 6,9% de seu PIB que teve nos meses de novembro e dezembro.
Bem, para fechar este artigo resta dizer que a Eslovênia se transformou numa agradável supresa.

05/03/10
DIÁRIO DOS BÁLCÃS
O que se procura está na Eslovênia
Jurandir Soares
A Eslovênia é um país tão pequeno cujo território pode ser cruzado de lado a lado em pouco mais de duas horas. Assim, para se ir de Liubliana, a capital, até a cidade italiana de Triste, são apenas 126 quilômetros. A propósito, vale dizer que Trieste pertencia à Eslovênia, mais foi incorporada ao território italiano num dos múltiplos arranjos feitos no período entre as duas grandes guerras. Zadar, que era um encrave italiano dentro do território da então Iugoslávia, foi abdicado pela Itália, segundo consta, em troca de Triento.
Voltanto à estrada, depois de se andar 45 quilômetros, ao partir de Liubliana, há uma parada obrigatória: as grutas de Postojna. É algo indescritível. São grutas de estalagtite e estalagmites, que entram chão a dentro, em antigo curso do rio Piuka. Vão até uma profundidade de 70 metros, porém, são tão extensas que, para visitá-las, percorre-se 5,5 quilômetros em um mini trem. E, depois de chegar a um determinado ponto, se desce do trem e se percorre ainda mais um quilômetro a pé. É um extraordinário visiual e um ótimo exercício.
Retoma-se a auto-estrada rumo à Italia e vai-se curtindo as últimas paisagens deste maravilhoso país. Considerando-se que o que se procura em uma viagem turística pela Europa são lagos, igrejas, castelos e povoados à beira de montanhas, além de cidades humanizadas, pode-se afirmar que tudo isto se encontra na Eslovênia. História e belezas naturais estão reunidos neste pequeno país, que deu um salto de qualidade nos últimos anos. Tudo isto fica retido na memória aos cruzarmos a fronteira para entrar na Itália.

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