Desfazendo-se do legado comunista

2.3.2010

Desfazendo-se do legado comunista
Jurandir Soares
A passagem por Zagreb deixou algumas impressões marcantes. Especialmente por se estar numa cidade que ao longo do Século XX sofreu profundamente em sua arquitetura a influência dos três sistemas a que o país esteve submetido: o imperial, do período austro-húngaro, o comunismo, sob Josip Broz Tito e o democrático-capitalista, a partir de sua independência, em 1991. O clássico está refletido em prédios maravilhosos, como o Teatro Nacional, o Museu de Artes e Ofícios, além de muitos outros espalhados pela cidade. O legado do comunismo está nos prédios residencias, de linhas retas e de material de baixo custo, construídos pelos bairros da cidade. O novo está nos suntuosos e envidraçados arranha-céus, que despontam no cenário da cidade e que abrigam as representações das grandes corporações que se estabeleceram no país, promovendo novos negócios, que estão alicerçando a entrada do país na União Européia.
Despontam também as numerosos igrejas, com destaque para a catedral situada no centro antigo da cidade. A propósito, é grande o afluxo de pessoas às igrejas, especialmente as católicas. Percebe-se uma grande manifestação de fé, o que é explicado como uma espécie de grito da liberdade em relação ao período do comunismo, em que a liberdade religiosa era cerceada. Um outro legado do comunismo e que vem se constituindo num entrave para o desenvolvimento é a questão fundiária. Terras que foram estatizadas ao tempo comunismo, ou seja, a partir de 1945, são reclamadas por antigos proprietários ou seus descendentes. Como o sistema judicial também é antiguado, está sendo desenvolvida toda uma negociação com vistas a modernizar o país. Um país que tem uma renda per cápita de 18.575 dólares, o que se constitui em 63% da média da UE. Situação que pode ser considerada privilegiada para uma nação que deixou o comunismo em 1991 e teve que logo enfrentar uma guerra até 1995.
Hoje, Zagreb, assim como toda a Croácia, vive e curte a democracia e o livre mercado, na ânsia de, a partir de 2011, também passar a fazer parte da União Européia. De Zagreb estou seguindo para Liubliana.

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