Lugares inesquecíveis
A saída de Dubrovnik é contemplada com a extraordinária vista da cidade que se tem ao longo da estrada que vai serpenteando as montanhas à beira mar. À medida em que se vai afastando vai-se sedimentando a convicção de que se esteve num lugar inesquecível. No entanto, as bem cuidadas e bem sinalizadas estradas croatas nos levam a outros belos lugares, pois o litoral é pontilhado de ilhas e de pequenas cidades com lindas praias. Isto se dá ao longo dos mais de 200 quilômetros que levam até Split, cidade que é chave na ligação marítima na Croácia com a Itália e boa parte da Europa Ocidental. Por toda a costa pontificam hotéis, resorts, restaurantes e casas de veraneio, que espelham o investimento que o país está fazendo no turismo. Investimento este que passa também pela construção de modernas e amplas rodovias, que ligarão o país de norte a sul. Dois terços do trajeto já estão concluídos. E o que é fundamental: o país tem recursos humanos preparados para dar impulso ao fator turismo, um dos pilares da sua economia. Os croatas são educadíssimos, atenciosos e cordiais. Em qualquer lugar fala-se o idioma universal que é o inglês.
Uma marina dá vida a Zadar
Zadar, outra cidade histórica situada às margens do Adriático, foi a etapa seguinte da viagem, depois da passagem por Split. Já ao longe, na paisagem da cidade desponta um campanário construído pelos bizantinos, um dos múltiplos povos que dominou a cidade ao longo da sua história. Por ela também passaram romanos, carolíongios, otomanos, franceses, italianos no século passado e sérvios no início da década de 1990, o que será tema da matéria de amanhã.
Prefiro falar agora da Zadar de hoje, que os italianos chamam de Zara, nome que deram quando ocuparam a cidade, que foi o germe do Renascimento da Croácia no Século XIX. A cidade antiga está estabelecida atrás de uma muralha e ao lado de um língua de mar que entra terra a dentro. Pois, do outro lado desta lingua, que tem cerca de 100 metros de largura, foi construída a cidade nova. Assim, tem-se o novo e antigo frente-a-frente e no meio uma bela marina que dá vida a Zadar. Ali estão deste barcos de pescadores até grandes navios que fazem a travessia para a Itália e a ligação com as ilhas, passando por lanchas e iates dos mais diversos tamanhos. Aliás, ilhas é o que não falta na costa da Dalmácia. Ao longo do litoral croata são mais de 1200 ilhas, muitas delas habitadas.
Hoje Zadar, como toda a costa croata, aposta no turismo. E para isto explora um diferencial, o chamado “órgão do mar”. São degraus cravados em rochas que têm em seu interior um interessante sistema de tubulações que, quando empurradas pelos movimentos do mar, forçam o ar e, dependendo do tamanho e velocidade da onda, criam notas musicais, sons aleatórios. É mais um expediente que esta cidade usa para sobreviver e esquecer as destruições da Segunda Guerra Mundial e da recente guerra com os sérvios.
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