Por trás do portão, os horrores da guerra
DIÁRIO DOS BALCÃS
Depois que se cruza o portão que dá acesso à cidade histórica de Dubrovnik é que se tem a percepção do horror que foi a guerra no que era a Iugoslávia. Isto porque, quem chega à cidade velha já se dá conta de que está diante de um patrimônio da humanidade. Atrás de seus enormes muros há um mosteiro bizantino, uma catedral e diversas igrejas católicas, uma igreja ortodoxa, múltiplos palácios, inclusive o do reitor, além de uma série de outros prédios, todos ornados com finíssimas obras de arte. Obras das escolas de Bizâncio, de Veneza e do Oriente Médio estão ali presentes nessa cidade, que obteve sua independência formal em 1382, quando se tornou a república de Ragusa, período do qual remonta a maioria dos seus prédios.

Maquete de Dubrovnik
Pois esta cidade, que hoje é um dos pontos mais importantes da Croácia, foi atacada a 1º de outubro de 1991, ou seja, quatro meses depois de a Croácia se declarar independente da Iugoslávia. Primeiro foi cercada e depois bombardeada pelo chamado Exército do Povo da Iugoslávia, formado por sérvios, montenegrinos e moradores do leste da Bósnia. O ataque durou até janeiro de 1992, quando a ONU conseguiu um conseguiu um cessar-fogo. O antigo mosteiro beneditino na cidade antiga, que hoje serve de museu, tem uma sala especial onde são projetadas imagens das mortes e da destruição de Dubrovnik. Dá arrepios de ver as imagens e perceber que isto aconteceu recentemente, há menos de duas décadas e em plena Europa. A guerra ainda durou até 1995, quando os croatas conseguiram sua última vitória na Eslavônia.
Agora, ao se percorrer ruas e ruelas dessa cidade medieval, a gente se depara com os trabalhos de restauração que estão sendo feitos. Trabalhos que recuperam a imagem dos prédios dos tempos passados, em cujo interior fervilham negócios modernos, como lojas, cafés, restaurantes, museus, teatros, galerias de arte, etc.
Enfim, aquelas atividades que dão vida ao antigo e que tornam uma cidade atraente para os seus moradores e para os turistas. Guardadas as devidas proporções, como devemos fazer com nosso Cais Mauá, em Porto Alegre.

Foto do prédio destruido durante a Guerra

Prédio em Restauração, 18 anos depois
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