Revolta escrava no Haiti foi “mau exemplo”

15.1.2010

O Haiti foi o primeiro país das Américas, depois dos EUA, a conquistar a independência. Isto aconteceu em 1804 e o movimento independentista foi uma revolta dos escravos, que compunham 80% da população e que produziam o café, cacau e açúcar que eram exportados. Os escravos conseguiram derrotar o exército francês e se tornarem um povo independente. Este fato, no entanto, se por um lado se constituiu numa vitória dos escravos, por outro, determinou o isolamento do país, por parte dos setores dominantes do comércio. Não queriam que o exemplo proliferasse. Este fato é lembrado pelo professor de História da UFRJ Manolo Florentino. Ele cita que outro exemplo de vitória dos escravos deu-se na ilha de São Thomé, atual São Thomé e Príncipe, ex-colônia portuguesa na África. Diz o professor que “no mundo colonial, os dois casos resultaram na destruição do sistema de plantações e no estabelecimento de economias camponesas, com uma sucessãode governos de ex-escravos. Ou seja, viraram economias camponesas miseráveis e, no caso do Haiti, virou na cleptocracia da ditadura Duvallier.

AJUDAS
O chanceler Celso Amorim manifestou o descontentamento do governo brasileiro com a acanhada ajuda monetária que está sendo oferecida ao Haiti por alguns países ricos. Enquanto o Brasil destinou 15 milhões de dólares para o auxílio às vítimas do terremoto, o Canadá, que faz parte dos 7 países mais ricos do mundo, mandou 5 milhões. Mas o pior é a União Européia, hoje composta por 27 países, que estaria destinando apenas 3 milhões de euros, o que significa praticamente o mesmo que o Canadá está dando. Não é bem isto. Só a Grã-Bretanha está mandando 10 milhões de dólares. Mas não deixa de ser uma forma de cobrar mais ajuda por parte de quem tem mais.
Quem está à frente disparado na ajuda é o governo dos EUA, que está mandando 100 milhões de dólares. Aliás, o presidente Barack Obama connversou ontem, por telefone, com o presidente Lula, sobre os esforços conjuntos para ajudar o Haiti.
Pois esses esforços tem que ser até na administração do dinheiro arrecadado. Isto porque, os haitianos estão se queixando que estão sem governo. E não é para menos, o presidente René Préval fez um pronunciamento dramático, dizendo que não tinha casa para morar e nem palácio para governar, porque ambos foram destruídos. Por isto, urge uma ação da ONU no sentido de controlar a aplicação dos recursos que chegam ao país. Caso contrário, vamos ter a repetição do que é histórico, não só no Haiti, mas em toda a América Latina, a mal versação dos recursos, que acabam nas contas daqueles que manipulam as doações.

Post to Twitter Post to Delicious Post to Digg Post to Facebook Post to StumbleUpon

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Security Code:

 

BUSCA

RÁDIO

NEWSLETTER

receber não receber

ARQUIVO

Login Assine o RSS Twitter


Esse blog foi criado com Wordpress . Todos os textos publicados são de autoria de Jurandir Soares. Dúvidas, críticas e comentários, entre em contato conosco .