Governador é morto pelas Farc
A guerrilha das Farc voltou a sequestrar uma figura de expressão na Colômbia. Desta vez foi o governador do estado, que lá é chamado de departamento, de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar. Ele foi atacado em sua residência por um grupo, de 15 a 18 homens, vestidos com uniformes do exército colombiano. Na ação, um policial foi morto, segundo as informações.
O departamento de Caquetá, situado ao sul de Bogotá, ao pé da cordilheira oriental dos Andes, tem se constituído num local frequente de atuação das Farc. Sua mais recente incursão se deu a 9 de dezembro, quando tentaram sequestrar o prefeito de de San Vicente del Caguán, Hernán Cortés Villalba. Naquela ocasião a tentativa falhou. Agora tiveram sucesso com uma figura de maior expressão, que, evidentemente, está mobilizando até o presidente da república Álvaro Uribe. Até porque o sequestro se constitui numa demonstração da guerrilha para Uribe de que o movimento segue vivo. Uribe tem conquistado ultimamente grandes vitórias no combate à guerrilha, tendo eliminado suas principais lideranças, enquanto que muitos outros guerrilheiros se entregaram à Justiça, aproveitando a delação premiada. Mesmo assim ainda há muito o que ser feito para acabar com a narcoguerrilha. Portanto, não é sem razão que Uribe expandiu a colaboração com os EUA, cedendo uma série de bases no país para as operações americanas.
EXECUÇÃO
O governador do estado colombiano de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, que havia sido sequestrado pelas Farc, foi encontrado morto. Teve o mesmo destino que um sem número de outras autoridades colombianas, como juizes, promotores, prefeitos, deputados, delegados, militares, etc. Não teve a “sorte” de outros 24 que ainda seguem em cativeiro, podendo ser libertados numa negociação que envolva troca por guerrilheiros capturados.
O sequestro e assassinato atingiu seu auge na Colômbia nos anos 80 e primeira metade dos anos 90. Nos anos 2000 esses atos tiveram uma substancial redução. Especialmente depois de 2002, quando foi colocado em prática o chamado Plano Colômbia, através do qual os EUA já despejaram no país mais de 3 bilhões de dólares para o combate à narcoguerrilha. Com a ajuda americana as forças regulares colombianas desencadearam uma forte repressão à guerrilha, liquidando suas principais lideranças, em ações que envolveram até um contestado ataque em território do Equador, que matou o número 1 das Farc.
Recentemente, houve um acordo para ampliar a participação americana na Colômbia, com a cedência de seis bases militares para operações conjuntas. A ação da guerrilha, sequestrando e matando o governador de Caquetá, possivelmente, seja para mostrar que, apesar desse reforço americano, o movimento ainda segue vivo.
COOPERAÇÃO
Tão logo se teve a notícia do assassinato pelas Farc do governador de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, o presidente da Colômbia Álvaro Uribe viajou para os EUA. A viagem é dita de negócios e já estava planejada anteriormente. Mas não deixa de ser significativa, porque a Colômbia está ampliando a colaboração financeira e militar com os EUA na luta contra a guerrilha das Farc. Uma luta que, diga-se de passagem, já se estende por quase 50 anos. Começou no tempo em que a guerrilha de esquerda se alastrava pela América Latina. Conseguiu ser vitoriosa apenas num país, em Cuba. E o que se tem 50 anos depois? Um país paupérrimo, que depende da ajuda externa para se manter funcionando e onde inexistem as liberdades básicas de expressão e de ir e vir. As Farc ainda seguem na utopia de tentar tomar o poder pela força. Não vão conseguir. Mas, enquanto isto, vão provocando sequestros e assassinatos, como o do governador de Caquetá. Não olham para o lado, na América Latina, para ver quantos dirigentes que lutaram contra as ditaduras acabaram chegando ao poder pela via democrática. Como o caso do presidente Lula e agora, mais recentemente, do ex-tupamaro José Mujica no Uruguai. De qualquer maneira, é importante Uribe reforçar a ação interna para acabar com esse câncer que mina a vida política colombiana.
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