Proposta de empresários comprova golpe
Os empresários hondurenhos que apoiaram a destituição de Manuel Zelaya da presidência deram ontem uma sugestão de solução para o conflito, a qual, ao mesmo tempo, está comprovando que houve golpe em Honduras. O plano para encontrar uma rápida solução para a crise hondurenha prevê que Zelaya seja reinstalado no poder, mas que, de imediato, se submeta aos tribunais de Justiça para responder pelas acusações de desrespeito à Constituição que pesam contra ele, disse o líder dos industriais, Adolfo Facussé. Pois bem, se ele tem que responder perante os tribunais por desrespeito à Constituição, isto significa que esse julgamento ainda não foi feito. E sem este julgamento ele não poderia ser destituído. Este, portanto, passa a ser mais um fato a corroborar o atentado à democracia que houve em Honduras.
Quanto ao plano apresentado pelos empresários, ele contempla a volta de Micheletti à Câmara de Deputados e lhe dá como presente um inédito cargo vitalício, ou seja, algo que não existe hoje no país. Prevê também o envio ao país de uma força de 3 mil homens do Panamá, Canadá e Colômbia, mas não expressou se agiria em nome da ONU.
A proposta feita pelos empresários nesta terça-feira também prevê que Zelaya delegue o comando das Forças Armadas ao conselho de ministros e a faculdade de remover membros de seu gabinete ao Congresso. Segundo a proposta, os ministros seriam nomeados pelos partidos políticos na mesma proporção dos votos que obtiveram nas últimas eleições de novembro de 2005, e só poderiam ser destituídos com o voto de dois terços dos deputados. Paralelamente, os empresários solicitam à comunidade internacional que dê um amplo apoio as eleições de 29 de novembro e que a OEA e outros organismos enviem observadores que certifiquem “a transparência do processo e a legitimidade dos resultados”, assinalou Facussé.
Tudo parece ser muito interessante, o problema, no entanto, será convencer Zelaya e Micheletti a aceitar a proposta.
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