China e Taiwan trocam mensagens
28/07/09
É marcante o fato de China e Taiwan terem trocado nesta segunda-feira a primeira mensagem entre seus dirigentes em 60 anos. O presidente da China Hu Jintao cumprimentou o presidente taiwanês Ma Ying-jeou, que foi eleito para a chefia do partido governista Kuomintang, que detém 75% das cadeiras do parlamento. Hu Jintao cumprimentou na condição de secretário-geral do Partido Comunista Chinês e não na de presidente da república. Simplesmente porque os dois não se reconhecem como presidentes. O que se dá pelo fato de a China não reconhecer Taiwan como um país independente. Considera a ilha parte de seu território.
Essa divergência se estabeleceu em 1949, quando da Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung. Quando os comunistas tomaram o governo chinês, o então presidente Chiang Kai-shek se refugiou na ilha de Taiwan, também conhecida como Formosa. Recebeu o apoio dos EUA e manteve ali o que foi chamado de governo nacionalista, enquanto que o continente era tomado pelos comunistas. Governos foram se sucedendo nos dois lados, sem nunca chegarem a um acordo. Taiwan lutando para ser reconhecido como um país independente e Pequim insistindo que a ilha é parte de seu território. As relações chegaram a atravessar alguns períodos tensos, inclusive recentemente, com o governante que antecedeu Ma, que era independentista. O atual dirigente resolveu deixar de lado a busca do reconhecimento da independência, porque, na prática esta já existe. E buscou privilegiar um intercâmbio comercial e turístico com Pequim. O que culminou ontem esta primeira troca de mensagens em 60 anos.
CONTRASTES
A China segue sendo um país de contrastes profundos. Por um lado, procura se inserir como um agente importante no mundo globalizado. Por outra, segue sendo palco de cenas medievais como o linchamento de um dirigente de empresa. Politicamente o país também busca avanços, como a reaproximação com Taiwan, o que se deu através da troca de mensagens entre os presidentes Hu Jintao e Ma Ying-jeou.
Assim como também se incrementa a aproximação com os EUA. O presidente Obama está desenvolvendo dois dias de negociações com uma delegação chinesa, liderada pelo vice-premiê Wang Qishan. Obama disse que o relacionamento entre EUA e China vai moldar o século 21, o que é verdade. Trata-se das duas maiores economias do planeta. Mas Obama quer se valer dessa aproximação econômica para também tirar proveito político. Quer o auxílio da China para resolver os problemas do Irã e da Coréia do Norte. Ou seja, Obama quer incrementar as relações econômicas e políticas com a China. O que fica facilitado agora com a reaproximação da China com Taiwan, que antes também era foco de tensão com os EUA.
O bruto contraste fica por conta de episódios como o ocorrido na província de Jilin, quando operários de uma siderúrgica, ameaçados de serem desempregados, lincharam um executivo da companhia. Os tumultos, que envolveram 30 mil trabalhadores na província, servem de alerta para a sensível questão do desemprego no país.
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