Coréia usa bomba para barganhar

26.5.2009

Em março último, quando a Coréia do Norte começou os ensaios para o lançamento de um foguete, surgiram protestos de Japão, Coréia do Sul, EUA e União Européia. Todavia, Rússia e China saíram em defesa dos norte-coreanos, dizendo que eles tinham o direito de realizar sua experiência. Nesta segunda-feira, o governo de Pyongyang voltou a desafiar o mundo com a realização de um teste nuclear subterrâneo. Mas desta vez nem seus dois tradicionais aliados saíram em sua defesa. Pelo contrário, se somaram aos países que criticaram a realização do teste. Crítica que começou pelos EUA, tendo em vista que o presidente Barack Obama havia acenado para a Coréia do Norte com o diálogo, da mesma forma que fizera com o Irã. Ou seja, deu chance para o país que não deveria fazer parte do “eixo do mal” arrolado por George Bush. Chance não aproveitada. Desde ontem a Coréia do Norte tem a condenação de todo o mundo. Especialmente, porque violou uma resolução da ONU, de número 1718, de 2006, que proibia o país de fazer lançamento de míssil balístico e de realizar teste nuclear. “Os EUA pensam que essa é uma grave violação das leis internacionais e uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional,” disse a embaixadora americana na ONU Susan Rice. Pronunciamento que teve o endosso da Rússia e da China.
O problema é saber que ação efetiva pode ser feita contra a Coréia do Norte, tendo em vista que o país já está praticamente isolado do resto do mundo. Diga-se de passagem, um país pobre, que ao invés de gastar o seu dinheiro para alimentar o seu povo, o gasta com produção de arma atômica. Coisas da cabeça de um líder desmiolado, como Kin Yong-il.

ACENO PARA OBAMA
O teste com a bomba atômica realizado nesta segunda-feira pela Coréia do Norte tem alguns objetivos básicos. Um deles é manter a unidade nacional. É costume das ditaduras usar um tema de interesse nacional para unir a opinião pública. No caso, o direito de a Coréia do Norte também ter o seu artefato nuclear, assim como tem outros países da região.
Mas o ponto fundamental é o negócio que o governo norte-coreano quer fazer, usando como fator de barganha a bomba atômica. Acontece que em 2005 o governo de Pyongyang concordou em por fim ao seu programa nuclear em troca de ajuda econômica e energética. O problema é que essa ajuda não chegou no volume que os norte-coreanos esperavam. Teria ficado muito aquém. Ficaram então na espera da mudança de governo nos EUA. E Barack Obama não colocou a Coréia do Norte na lista de suas prioridades. Afeganistão, Paquistão, Iraque e outros países que estão envolvidos com o terrorismo constituem a prioridade de Obama. Foi então que Kin Yong-il resolveu mostrar que ele está ali e tem não mão um “brinquedo” que ameaça o mundo.

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