Pergunta de Chávez induzia a resposta
Era muito difícil votar contra Chávez no plebiscito deste domingo. Isto porque a pergunta formulada foi elaborada de tal forma a iludir o eleitor. Basta observar a indagação seguinte: “Você aprova a emenda dos artigos 160, 162… que amplia os poderes políticos do povo…” Ora alguém irá votar contra uma emenda que aumenta os seus poderes políticos? É meio difícil. Na extensão da pergunta vem toda a sutileza: “que amplia direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã em exercício de um cargo de eleição popular possa ser sujeito à postulação como candidato ou candidata para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?” Assim, Chávez conseguiu, habilmente, envolver a sua reeleição com a ampliação dos direitos políticos dos cidadãos.
Tudo isto antecedido por uma campanha que, nos veículos oficiais, deixava 90% dos espaço para o “sim” a apenas 10% para o “não”. E mais: na quinta-feira, último dia de campanha, duas passeatas de estudantes foram proibidas de ser realizadas. Aliás, esta deverá ser a tônica do regime daqui para afrente: um fechamento cada vez maior.
O problema que Chávez começa a enfrentar é o baixa acentuada que se deu no preço do petróleo, produto que é o sustentáculo de suas campanhas assistencialistas. Isto poderá ser o maior aliado da oposição.
MÚLTIPLAS EXPLICAÇÕES
O “sim” para a proposta de eleição indefinida de Hugo Chávez tem várias explicações. A primeira delas, é a obstinação de Chávez em continuar no poder, tendo em vista que dezembro de 2007 já fora feita consulta idêntica e fora rejeitada pela população. Outro aspecto, está relacionado ao controle da informação que é mantido por Chávez, tendo em vista que cassou a concessão da emissora de TV que lha fazia mais oposição. Porém, o principal fator é o assistencialismo do dirigente bolivariano. Graças ao dinheiro do petróleo, ele tem usado um sistema semelhante ao Bolsa Família, mas de forma ampliada. Além do dinheiro que é dado, o governo tem oferecido também um programa de assistência médica, que é executado em parceria com Cuba. Não é sem razão que Fidel Castro foi o primeiro a cumprimentar Chávez pela vitória do “sim”. Cuba recebe o petróleo venezuelano e, em troca, envia equipes médicas para trabalhar nos programas sociais de Chávez.
Todo esse somatório tem embasado o apoio a Chávez, cujo governo tenderá a ser cada vez mais fechado. O problema, no entanto, é que tudo isto depende do petróleo. E se o produto continuar por muito tempo na faixa de preço em que se contra, em torno do 40 dólares, a fonte irá secar. O valor mínimo que Chávez precisa para seguir com lucro na PDVSA é de 65 dólares o barril. Portanto, embora ganhando o direito à reeleição, Chávez dependerá do petróleo para continuar no poder.
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