Os novos e difíceis tempos de Obama

6.2.2009

Quando George Bush deixou o governo, EUA e Rússia estavam em rota de colisão. Washington acenava com a colocação de sistemas anti-mísseis e de radares na República Tcheca e na Polônia, enquanto que Moscou prometia como resposta a colocação de mísseis em Kaliningrado, um encrave junto à fronteira com a Polônia. Ou seja, vivia-se a perspectiva de uma nova corrida armamentista.

Pois agora o presidente Barack Obama está propondo à Rússia um tratado para reduzir substancialmente as armas nucleares dos dois países. Em dezembro, expira o acordo firmado em 1991 entre EUA e Rússia, que estabeleceu a redução de 10 mil para 5 mil ogivas os arsenais nucleares de cada país. O objetivo era fazer com que, antes de vencer o convênio, se firmasse um novo acordo reduzindo ainda mais o número de ogivas. O que se tornou impossível com Bush. Pois a proposta de Obama propõe a redução para mil ogivas. Ou seja, uma redução de 80%.

A proposta já teria sido tão bem recebida em Moscou que o governo russo se manifestou disposto até a ajudar os EUA no Afeganistão.

É por questões como estas que o mundo todo torceu pela vitória de Obama na eleição americana.

NEGOCIAÇÕES COM IRÃ
A equipe de Barack Obama e representantes do governo do Irã estão mantendo conversações desde setembro do ano passado. Ou seja, desde antes de Obama ser eleito presidente americano. A revelação está no site da revista “Foreign Policy” e indica inclusive os nomes dos participantes das negociações. Do lado americano estariam, entre outros, Gary Samore, ex-diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional de Bill Clinton, e William Perry, ex-secretário de Defesa do ex-presidente democrata. Do lado iraniano, o representante do país na Agência Internacional de Energia Atômica, Ali Soltanieh, e Samareh-Hashemi, assessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

A informação da revista dá conta de que as reuniões foram coordenadas pela ONG pacifista “Conferências Pugwash” e teriam acontecido em Haia e em Viena. E dá conta de que, apesar das negativas oficiais, uma nova reunião ocorreria neste fim de semana em Munique.

Como se observa, tornar o Irã um aliado é algo que Obama persegue desde antes de saber se seria eleito ou não. Com esta convicção o diálogo fica mais viável.

DESEMPREGO CRESCE
Ao lançar o seu programa de incentivo à economia, na ordem de 819 bilhões de dólares, o presidente americano Barack Obama disse que o mesmo seria responsável pela geração de 3 milhões de empregos. Desse total, 550 bilhões serão destinados a projetos de infra-estrutura, energia renovável, ciência e tecnologia, educação e saúde. O restante será empregado num programa de redução de impostos, com duração de dois anos. O leão americano vai facilitar a vida do cidadão. Obama quer colocar, pelo menos, mais 500 dólares na mão do cidadão e um mínimo de 1.000 dólares por família. Outro fator que Obama quer atacar é a inadimplência dos imóveis. O volume de execuções hipotecárias, por conta da inadimplência, cresceu 81% em 2008 na comparação com o ano anterior. O número de proprietários que recebeu algum tipo de alerta pelo atraso do pagamento do imóvel chega a 2 milhões 330 mil.

Urge a colocação em prática das medidas, tendo em vista que o número de desempregados na maior economia do planeta fechou o ano passado em 2 milhões e 600 mil, ou 7,2% da força de trabalho. O pior índice desde o fim da Segunda Guerra. E as previsões são de que o índice suba para 7,5% neste primeiro trimestre.

Como disse o presidente Lula, Obama está com um pepinaço nas mãos.

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