O que os doadores queriam de Clinton?

19.12.2008

A política dos EUA tem algumas peculiaridades. Agora, por exemplo, para que a senadora Hilary Clinton pudesse ser indicada para o Departamento de Estado, o seu marido Bill Clinton viu-se obrigado a revelar a lista de doares para a fundação que leva o seu nome. São mais de 200 mil nomes que, de 1997 para cá, doaram 492 milhões de dólares para a fundação.

O interessante é observar a relação daqueles que fizeram doações esperando que seus nomes ficassem no anonimato. Entre os maiores doares da entidade beneficente estão as monarquias do Oriente Médio, a começar pela Arábia Saudita, com 25 milhões de dólares. Passa também por outros governos, tão diversos como da Itália, Noruega, Taiwan e Jamaica. E chega a poderosos organizações, como a seguradora AIG, que foi um dos principais receptores da ajuda financeira do governo americano. Passa por instituições financeiras beneficiadas, como Merrill Lynch, Cigroup, Bank of América, Goldman Sachs, etc. Até a brasileira Odebrecht está na lista
Enfim, quem colaborou, evidentemente, que esperava alguma retribuição do ex-presidente. Afinal, vale lembrar aquela observação de que “não há almoço de graça”.

ETANOL DO BRASIL

Uma das grandes expectativas do governo brasileiro é abrir o mercado dos EUA para o nosso etanol. Pois, embora muito difícil, esta possibilidade começou a ser delineada nesta quarta-feira com a indicação de Tom Vilsack para o Departamento da Agricultura. Vilsack é ex-governador do estado de Iowa, que é um dos maiores produtores de milho do país. No entanto, ele sempre foi um defensor do fim da tarifa cobrada para o ingresso no país do etanol brasileiro e do fim do subsídio dado aos produtores de combustível nos EUA.

O uso do combustível verde é uma determinação do governo de Barack Obama. Hoje, os americanos consomem etanol produzido através do milho, que não tem a qualidade do etanol brasileiro, produzido através da cana de açúcar. Além disto, o etanol americano é subsidiado, o que faz o governo gastar o que não deveria e, ainda por cima, isto acaba elevando o preço de um alimento importante na mesa dos americanos e dos mexicanos que, por extensão, estão sofrendo o mesmo problema.

Para dar esta proteção ao produtor americano, o governo ainda taxa o etanol brasileiro. Reverter esta situação é o que se propunha o novo encarregado da Agricultura. Se propunha. Não se sabe se manterá esta posição. Até porque, terá que bater de frente com os produtores do seu próprio estado.

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