Cuba torna-se vedete da cúpula

19.12.2008

Cuba se tornou a grande vedete do encontro de cúpula recém finalizado na Bahia. Tanto que as propostas formuladas no encerramento contemplam ações em benefício da ilha, que, é bom lembrar, desde 1959, está sob o comando de um mesmo grupo. Uma das propostas contempla a criação de um organismo semelhante à OEA, só que, com a presença de Cuba, que hoje está afastada da organização, e sem a presença de EUA e Canadá, os dois ricos da organização. Conforme disse o jornalista Clóvis Rossi, trata-se da criação da OEA do B, numa alusão às dissidências que ocorrem no Brasil.

Ao mesmo tempo, os participantes da cúpula da Bahia clamaram pela suspensão do bloqueio econômico que, há 46 anos, os EUA impõe à Cuba. O governo de Washington tem condicionado o levantamento desse bloqueio à redemocratização de Cuba. Curioso, que sobre este aspecto, não houve nenhuma cobrança à Cuba. Curioso também que, ao compactuar com a criação da chamada OEALC – Organização dos Estados da América Latina e do Caribe, os presidentes do Mercosul não fizeram uma exigência que é básica para qualquer país que queira fazer parte de nosso Mercado Comum do Sul: preservar os preceitos democráticos.

REAPROXIMAÇÃO COM EUA
Embalado pelo apoio que recebeu na cúpula da Bahia, e com a vitrine que lhe proporcionou o presidente Lula em sua visita à Brasília, o presidente de Cuba Raúl Castro resolveu fazer uma proposta de reaproximação com os EUA. Ele propôs soltar 200 presos políticos de Cuba, em troca da libertação, pelos EUA, de cinco cubanos que foram condenados na Flórida por espionagem.

A manifestação do governo americano se deu através da porta-voz para Assuntos Hemisféricos do Departamento de Estado, Heidi Bronke. Ao considerar as duas situações distintas, ela exortou Cuba a uma ação unilateral, soltando os presos políticos sem contrapartidas.
Na realidade, as situações são diferentes. Os cubanos detidos na Flórida estavam realizando espionagem em um outro país. Eram estrangeiros, sujeitos às penalidades do país em que exerciam suas atividades. Já os dissidentes cubanos são cidadãos que agem em seu próprio país, se contrapondo a algo que os integrantes da cúpula da Bahia fazem de conta que não vêem: a falta de liberdades em Cuba. Não se pode esquecer que em Cuba só existe um partido, o Comunista. Só existe um jornal, o Granma, do PC, que tem um apêndice para a juventude comunista. Só há um tv, do estado, logicamente.

Então, é um país onde não há liberdade de opinião e de locomoção. E quem se volta contra isto vai para a cadeia. Por isto que há um contingente de presos políticos. E sobre isto não houve a mínima manifestação na Bahia.

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