Bush assume mas não justifica seus erros

8.12.2008

(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 07/12/2008)

O presidente George Bush fez um “mea culpa” reconhecendo que seu maior erro no governo foi acreditar nos serviços de inteligência sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Em entrevista que concedeu à rede de TV ABC News, Bush disse também que não estava preparado para a guerra. Pois bem, vamos à análise dessas colocações. Bush quer deixar transparecer que foi iludido pelos serviços de inteligência. Será que ele foi iludido ou ele pressionou os serviços de inteligência a apresentar tais relatórios para justificar a guerra. E explico: se ele quisesse ter certeza sobre as tais armas, era só confiar nos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. Eles estavam no Iraque realizando inspeção e ainda não haviam concluído seu trabalho quando Bush decidiu atacar o Iraque. O então secretário-geral da ONU Kofy Annam pediu a Bush que esperasse pela conclusão do trabalho, mas o presidente americano não deu ouvidos. Determinou o ataque sob a justificativa das tais armas de destruição em massa. E se os agentes da ONU não saíssem às pressas do Iraque, levariam bomba sobre a cabeça. Portanto, isto é quanto às armas.

Agora, vamos ao tema guerra, para qual Bush disse que não estava preparado. Ora, aliados importantes dos EUA, como França, Alemanha e até a Rússia, tentaram dissuadir o presidente de ir à guerra. Mas ele não deu ouvidos. Se não estava preparado, porque insistiu em ir adiante e arrastou junto uma série de outros países, como Inglaterra, Espanha, Austrália, etc? Então, não tem explicação. Bush errou feio e paga agora ao deixar o governo com o índice de popularidade mais baixo já obtido por um presidente americano.

Como já coloquei em comentários anteriores, a indicação de Hilary Clinton para secretária de Estado deixou algumas dúvidas em termos de qual a política externa que será colocada em prática a partir de 20 de janeiro. Afinal, durante a campanha pela indicação do candidato do Partido Democrata, Obama e Hilary tiveram algumas diferenças marcantes sobre o tema. No entanto, a partir da indicação de Susan Rice para embaixadora dos EUA junto à ONU, as coisas começam a se esclarecer. Isto porque, Obama restabeleceu o cargo que Bush havia eliminado, como reflexo do desprezo que tinha pela ONU. Bush deixara apenas um representante do país junto à organização, cargo que era subordinado ao Secretário de Estado. Agora, Obama restabelece o respeito à ONU. Terá lá uma embaixadora com cargo equivalente ao de Hilary. E aí vem a outra constatação. Susan Rice será um contraponto a Hilary. A ela caberá coordenar na ONU as ações diplomáticas do novo governo. Ou seja, caberá a ela o papel mais efetivo em termos de relações externas.

Num aspecto, no entanto, fica clara a convergência entre Obama e Hilary. E este refere-se à importante questão do Iraque. É consenso entre os dois a retirada gradual das tropas do Iraque e o seu deslocamento para o Afeganistão, em especial, para a fronteira com o Paquistão, porque é ali que está o foco do terror. É ali que estão Bin Laden e seus asseclas da Al Qaeda e mais os talibãs e mujahideens, que vivem espalhando o terror pela região. Com estes aspectos, se percebe que a política externa de Obama já começa a tomar um novo e importante rumo, na busca de corrigir os erros da administração Bush.

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