O centro formador do terror segue imune
(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 30/12/2008)
Quando o presidente George Bush desencadeou o ataque ao Iraque, em março de 2003, declarou ao mundo que o estava fazendo em nome do combate ao terror. Passado todo esse tempo, o terror segue mais vivo e atuante do que nunca. Basta ver os atentados desta semana em Mumbai, Cabul e Bagdá. Em todas essas ações há o dedo da Al Qaeda, a organização terrorista de Bin Laden, que Bush deixou de lado no Afeganistão quando decidiu atacar o Iraque, atendendo os interesses das corporações do petróleo, das armas e da construção.
Pois, enquanto o terror espalhava o pavor na Índia, por aqui pela América Latina vivia-se uma retomada do clima da Guerra Fria, com as manobras militares conjuntas de Rússia e Venezuela em águas do Caribe. Esta manobra constitui um novo momento nas relações internacionais. Desde a crise dos mísseis em Cuba, em 1962, os russos não se aventuraram mais em águas de domínio americano. O que estão fazendo agora. E o fazem em resposta a uma ação semelhante por parte dos EUA, que também não agiam na área de influência da Rússia, mas que, em agosto último, por ocasião do conflito envolvendo Georgia, Ossétia do Sul e Rússia, resolveram marcar presença na região. Enviaram um navio que seria com ajuda humanitária. Sem contar o problema maior para os russos, que é a instalação de sistemas antimísseis na Polônia e na República Tcheca.
Curioso que, no mesmo momento em que vivem este clima de Guerra Fria, EUA e Rússia estão agindo de forma conjunta com vistas a identificar e caçar os autores dos atentados de Mumbai. Ação que tem também a participação dos serviços secretos de Israel. A autoria dos atentados foi assumida por uma organização desconhecida, chamada Deccan Mujahideen. Embora a organização seja desconhecida, os mujahideens são muito conhecidos. São jovens estudantes do Corão que se transformam em fanáticos religiosos, dispostos a dar a vida por uma determinada causa. Segundo os informes de Mumbai, os autores dos atentados eram na sua grande maioria meninos de tenra idade.
A conclusão dos serviços de inteligência é de esses jovens são treinados pela Al Qaeda, na região fronteiriça entre o Paquistão e o Afeganistão, onde a organização está atuando. Ou seja, mais um vez fica evidente onde deve concentrar-se a ação das forças americanas que devem ser retiradas do Iraque. A propósito, passo importante para isto foi dado nesta quinta-feira com a aprovação pelo Parlamento iraquiano do cronograma de retirada americana até 2.011.
A flagrante constatação é de que, com a mentira de Bush sobre o Iraque, se perdeu cinco anos no combate ao foco do terror.
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