Rússia age na América Latina
Embora Barack Obama e a União Européia tenham acenado com um novo e melhor período nas relações com a Rússia, o governo de Moscou segue colocando em prática suas ações para a América Latina, as quais foram articuladas como um desafio ao governo Bush. Tanto que a principal dessas ações é uma manobra militar conjunta com a Venezuela de Hugo Chávez, país que se transformou em um dos maiores compradores de armas russas.
Informação da agência espanhola Efe da conta de que o cruzador russo de propulsão nuclear Pedro, o Grande cruzou ontem o estreito de Gibraltar e se dirige às costas da Venezuela, onde participará no final do mês das primeiras manobras navais conjuntas entre os dois países, informou o Ministério da Defesa da Rússia. Rumo ao Caribe, também se encontra o destróier Almirante Chabanenko, segundo fontes ministeriais citadas pela agência de notícias Interfax. A frota russa partiu no final de setembro de sua base de Severomorsk, no mar de Barents, e está previsto que chegue à Venezuela no início da próxima semana, após percorrer 24 mil quilômetros e fazer escala na Líbia. Para amenizar a ação, ou não ser tão ostensiva, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que esses navios da Frota russa não levam armas nucleares a bordo.
Essas manobras coincidirão com a primeira visita à Venezuela do presidente russo, Dmitri Medvedev, o qual deve participar de 15 a 22 deste mês de uma reunião no Peru da Comunidade da Ásia e do Pacífico. Depois disto, Medvedev visita Venezuela, Nicarágua, Cuba e Brasil. Antecedendo a visita do presidente, o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechim, encerrou nesta segunda-feira um gira pela região, tendo acertado fortes parcerias com Cuba e Venezuela. Concedeu uma linha de crédito de 20 milhões de dólares para Cuba e assinou 15 acordos com a Venezuela, sendo um para a construção de uma fábrica de veículos de passeio.
Como disse anteriormente, essas ações foram planejadas no período de animosidade com George Bush, agora que começam a ser postas em prática, os russos já temem pelo seu sucesso. O jornal econômico russo “Kommersant” avaliou a turnê de Medvedev com ceticismo, elencando três motivos: a crise econômica, a concorrência dos chineses e a vitória de Barack Obama.
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