Revisão das ações americanas
O posicionamento mais realista sobre a política externa dos EUA está sendo tomado pelo subsecretário de Assuntos Políticos, William burns, que é o número três do Departamento de Estado. Em entrevista que concedeu à Folha de São Paulo, ao chegar ao Brasil, ele listou alguns pontos fundamentais em que a política de George Bush tem fracassado. No caso do Irã, por exemplo. Ele defende o direito de o país ter o seu programa nuclear para fins civis. Afinal, o país é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Entende que falta apenas uma maior abertura de Teerã com relação às inspeções dos agentes da ONU. Ou seja, falta pouco para um acordo, evitando uma situação de confronto que vem sendo mantida pelo governo Bush.
Ele também considera um erro a guerra no Iraque, mas, já que aconteceu, o fundamental agora é dar segurança ao país e ajudar no seu crescimento econômico. O mesmo que deve ser feito no Afeganistão, sob pena de o Talibã voltar ao poder.
Já quanto ao enfrentamento que os EUA mantiveram com a Rússia, considera que se deu por culpa da Geórgia. Disse que a mensagem enviada ao governo georgiano era clara: não recorrer à força em nenhuma hipótese para assegurar sua soberania sobre a Ossétia do Sul. O fato de o governo georgiano ter feito exatamente isto, foi uma decisão cega. O que não justifica a reação desproporcional da Rússia.
Portanto, são posições muito claras sobre importantes temas e que contrariam o modo como o governo Bush vem procedendo.
ATENTADO A OBAMA
A descoberta de um plano de fanáticos para matar a tiros ou decapitar 102 negros, inclusive o candidato democrata à presidência Barack Obama, trás à tona um tema que está sendo discutido nos bastidores já há algum tempo. Ou seja, o da integridade física de Obama se vier a se constituir mesmo no presidente dos EUA. Sabe-se que, se eleito, Obama irá se contrapor aos interesses de muitas das corporações que hoje dão sustentação ao presidente George Bush. Aliás, foi em nome das corporações do petróleo, das armas e da construção que Bush fez a guerra no Iraque. A história recente mostra um presidente democrata assassinado em pleno mandato: John Kennedy, em 1963. Mostra um líder negro assassinado, Martim Luther King, em 1968, e até um presidente republicano alvejado, Ronald Reagan, em 1981.
Daí não serem sem razão as preocupações daqueles que temem ações mais contundentes contra Obama. Ações que podem ter interesses maiores, mas ficarem ocultas através de skeenheads racistas, como esses que foram detidos pelos agentes federais.
Fiscalizar ações que grupos radicais prometem realizar através da internet é hoje uma obrigação das autoridades. Aqui na nossa cidade, as autoridades da segurança não conseguem nem evitar um foguetório com que fanáticos torcedores “homenageiam” durante a madrugada jogadores de time adversário. Pois nos EUA, a eficiência dos agentes federais evitou uma ação de fanáticos skeenheads, que planejavam matar a tiros ou degolados 102 negros, entre eles o candidato democrata à Casa Branca Barack Obama.
Investigar sites e agir de imediato contra aqueles que alardeiam suas ações nefastas é uma obrigação das autoridades. Felizmente, a polícia americana agiu rápido e com eficiência. E a estas alturas, a figura de Obama requer um cuidado muito especial. Afinal, ele pode se transformar no primeiro negro a ser presidente dos EUA. E, por mais que se combata o racismo no país, isto desgosta a alguns fanáticos. Considerando ainda que Obama, uma vez presidente, pode se contrapor a interesses de determinadas corporações, todo o cuidado com a sua integridade física é pouco.
DESAFIO PARA O NOVO PRESIDENTE
O novo presidente dos EUA vai ter que reestruturar as relações do país no Oriente Médio, para poder seguir na sua caça ao terror e deixar de violar a lei internacional. Explico melhor. Nos últimos dias, as forças americanas desenvolveram duas ações contudentes contra o terror. Uma na Síria, onde teriam destruído a casa de Abu Ghadiyah. O Departamento de Estado dos EUA havia identificado Ghadiyah como uma das maiores figuras da rede terrorista Al Qaeda no Iraque que vivem na Síria. Outro ataque foi feito no Paquistão, onde um míssil matou 20 pessoas no Noroeste do país. Uma ação contra esconderijos de militantes na área.
Ações contra o terror são mais do que necessários. O problema é que para realizá-las os EUA não podem passar por cima da soberania de outros países. O chanceler da Síria, Walid Muallem, condenou o ataque ao seu país, o qual classificou como terrorismo. Protesto semelhante foi feito pelo governo do Paquistão. Ou seja, para combater o terrorismo, os EUA estão sendo vistos como terroristas.
Um presidente americano com diplomacia suficiente para negociar com esses governos uma ação conjunta contra o terror acabaria com o problema.
USA DAS ARMAS
Duas informações vindas dos EUA merecem uma reflexão sobre suas ligações. Uma, a ação dos agentes federais que prenderam dois jovens neo-nazistas que pretendiam assassinar 102 negros, entre eles o candidato presidencial Barack Obama. Outra, o tiroteio na Universidade Central de Arkansas, que deixou pelo menos duas pessoas mortas. Aliás, tiroteios em âmbitos estudantis são fatos que se repetem até com uma certa freqüência nos EUA.
Essas ações levam à reflexão sobre o uso de armas pelos americanos. Por aqui, o tema tem sido muito debatido ultimamente. Por lá, não querem nem ouvir falar em proibição. Faz parte da cultura americana ter uma arma em casa. Armas que vão até a fuzil de alta precisão, como o exibido por um dos jovens que pretendia matar Obama. A posse de armas dessa natureza, logicamente, facilita a realização de atos nefastos, perpetrados por pessoas desequilibradas.
PESQUISAS SEQUEM DANDO OBAMA
A seis dias das eleições presidenciais e 12 milhões de eleitores já tendo votado, cresce a expectativa em torno de quem será o novo presidente dos EUA. A pesquisa da Reuters vem apontando uma diminuição na diferença pró-Obama. A mais recente, desta terça-feira, está apontando apenas quatro pontos percentuais a favor do democrata. 49 a 45%. As demais, porém, seguem apontando uma folga maior. De acordo com pesquisa diária do Washington Post/ABC News, Obama estaria a sete pontos de distância do adversário republicano John McCain, 52% contra 45%. Segundo o site independente especializado RealClearPolitics , o democrata contaria com vantagem um pouco maior que seis pontos 50,4% contra 43,6%.
Os dois candidatos à Casa Branca estiveram ontem na Pensilvânia –um dos Estados considerados determinantes na disputa — para pedir votos. McCain escolheu a vice Sarah Palin para fazer campanha. Porém, como se não bastassem as pesquisas ruins para os republicanos, surgiram as tensões entre os dois divulgadas pela mídia americana. Um divisão que parece ser já uma antevisão da derrota.
RECUPERAÇÃO DA LIDERANÇA
O próximo presidente dos EUA terá uma tarefa árdua pela frente: recuperar a liderança e a influência do país no cenário internacional. Depois de oito anos de péssima administração Bush, o país está com a sua economia em frangalhos, enfrenta uma guerra no Iraque e outra no Afeganistão, sendo que ambas se arrastam por Paquistão e Síria. Se ocorrer uma surpresa na próxima terça-feira e John McCain for o eleito, essas dificuldades seguramente serão maiores. McCain é um seguidor da política de Bush. Isto deixaria também uma frustração pelo mundo. Uma pesquisa feita em setembro pela rede britânica BBC, em 22 países, indicou que a popularidade de Obama é maior fora dos EUA. Em todos esses países, se a população votasse elegeria Obama. A dedução é de que, se McCain ganhar haverá uma certa frustração internacional. Se Obama for o vencedor, pelo menos no início, desfrutará de uma lua de mel com o mundo.
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