Preso um dos carrascos da ex-Iugoslávia
A prisão de Radovan Karadzic traz à tona novamente as atrocidades que foram praticadas na guerra que resultou na desintegração da Iugoslávia. Um guerra travada no início dos anos 90 e que trouxe de volta, em plena Europa, algo que se julgava nunca mais fosse existir: os campos de concentração. Essa guerra teve componentes étnicos e religiosos muitos fortes. Componentes esses que sempre existiram, mas que foram sufocados ao longo do tempo em que o marechal Tito governou com mão de ferro o país, desde o fim da Segunda Guerra, em 1945, até a sua morte, em 1980. Por dez ainda mais o sistema se sustentou, mas, com a queda do comunismo no Leste europeu rompeu-se a frágil que reunia as seis repúblicas que formavam a Iugoslávia.
O velho ódio que cultivavam entre si sérvios e croatas e, no meio deles, muçulmanos, recrudesceu e virou guerra civil, em 1990. Logo foram surgindo novos países, Croácia, Eslovênia e Macedônia. A Sérvia tentava conservar consigo o que compunha a Iugoslávia. Assim conservou Montenegro e Kosovo, que hoje também são países independentes. Quis segurar também a Bósnia, mas esta se declarou independente em 1992. E ali é que foi o problema maior, pela mescla de povos daquela república. Havia ali bósnios de origem sérvia, bósnios de origem croata e bósnios muçulmanos. Os bósnios croatas e muçulmanos declararam a independência da Bósnia. Os seus parceiros sérvios não aceitaram, porque queriam a união com a Sérvia.
E foi aí que despontou a figura de Radovan Karadizic, líder dos sérvios da Bósnia. Queria expandir o domínio sérvio sobre a Bósnia e para isto, simplesmente, resolveu fazer uma limpeza étnico-religiosa, exterminando 8 mil muçulmanos que habitavam áreas que ele pretendia anexar. Quando terminou a guerra, em 1995, esses corpos foram achados em valas comuns. E é por esses crimes que Karadzic que ontem, finalmente foi preso, terá que responder.
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