Um ataque ao Irã pode ser caótico
(artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 13/07/2008
O Irã, que tem o seu programa nuclear contestado por EUA e boa parte da comunidade internacional, realizou este semana testes com mísseis balísticos de médio e longo alcance, que podem portar ogiva nuclear. Segundo o próprio governo iraniano, esses mísseis poderiam ser lançados contra Israel ou contra navios americanos no Golfo Pérsico, caso o Irã seja atacado por um desses países. Aliás, uma declaração que fez aumentar a tensão no Oriente Médio. Especialmente, porque se sabe que é crescente a vontade, tanto do presidente George Bush como do premiê israelense Ehud Olmert, de bombardear as instalações nucleares do Irã, antes que o país consiga desenvolver a bomba atômica. “Queremos dizer ao mundo que aqueles que conduzem sua política externa usando a língua da ameaça contra o Irã devem saber que nosso dedo está sempre no gatilho e temos centenas e mesmo milhares de mísseis prontos para serem disparados contra alvos pré-determinados”, declarou o general Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, à TV estatal do país. Mais moderado, o ministro da Defesa iraniano, Mostafa Najjar, afirmou que os mísseis testados pela Guarda Revolucionária têm um objetivo defensivo.
O que se percebe é que há uma tendência, cada vez mais acentuada, de EUA ou Israel bombardear as instalações nucleares do Irã, onde, na avaliação desses países, estaria sendo construída a bomba atômica. Israel há muito que tem agido no Oriente Médio contra o que considera ameaça à sua integridade. Assim já o foi em 1981, quando bombardeou instalações do Iraque. A ação mais recente foi em setembro último, quando bombardeou instalações da Síria. Em nenhum dos casos houve resposta por parte dos países atingidos. Assim, com a sua mobilização, o que o Irã demonstra querer deixar explícito é que, se for atacado, responderá. O que seria o caos, diga-se de passagem. Não se pode esquecer que os EUA ainda estão mergulhados numa guerra sem definição no Iraque. Imagine-se mais uma frente de batalha na região.
Menos mal que do lado do governo americano apareceu alguém moderado. O sub-secretário para Assuntos Políticos, William Burns, embora tenha chamado de “provocação” os testes dos mísseis balísticos, disse que “os EUA não usarão a força até que se esgotem todas as opções diplomáticas”. O que se espera é que ele tenha voz ativa.
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