Brasil busca sobrepujar Chávez em Cuba
O Brasil está colocando em marcha uma estratégia de relacionamento com Cuba que envolve alguns aspectos marcantes. O primeiro deles pode ser extraído da frase pronunciada pelo chanceler Celso Amorim, por ocasião de sua visita a Havana, na sexta-feira. Disse que o Brasil quer ser o sócio número um na nova fase da vida de Cuba. O impulso dessa sociedade seria dado na área agrícola, com a plantação de soja, segundo se anunciou inicialmente. Nos bastidores, sabe-se que o interesse do Brasil é aproveitar a cultura da cana, na qual Cuba tem tradição. E aproveitar para produzir o que Fidel Castro vem criticando: o biocombustível. O líder cubano, que está afastado do poder desde julho de 2006, tem escrito artigos, denunciando os biocombustíveis como responsáveis pelo aumento mundial no preço dos alimentos. O presidente Lula, que tem grande influência sobre Fidel, tem procurado mostrar que a produção do etanol a partir da cana de açúcar não tem nada a ver com a alta dos alimentos. E o etanol é o que se apresenta de mais viável para substituir o petróleo, com vantagem em preço e em preservação do meio-ambiante. E, como tal, é uma grande fonte de renda para quem o produz, com enormes perspectiva futuras. Ou seja, se Cuba aderir à parceria, estará auferindo altos rendimentos e garantindo o seu futuro.
Mas há ainda o aspecto político nesse relacionamento. Quando o chanceler Celso Amorim diz que o “Brasil quer ser o sócio nº 1 de Cuba”, isto significa que estamos querendo superar a Venezuela de Hugo Chávez, que hoje é o maior parceiro dos cubanos na América Latina. Basta ver que o comércio do Brasil com Cuba envolve hoje 412 milhões de dólares, enquanto que o da Venezuela com os cubanos chega a 2,05 bilhões de dólares. Nas entrelinhas do pronunciamento está, portanto, o interesse de sufocar a hegemonia de Chávez na região.
Pode-se dizer ainda que este projeto, seguramente, tem o apoio implícito dos EUA.
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