A violência e o julgamento de Tarik Aziz

30.4.2008

Em um confronto pelas ruas de Bagdá, que durou mais de quatro horas, soldados americanos mataram ontem 34 milicianos ligados ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr. O curioso nesse confronto é que os milicianos não respeitaram uma ordem de trégua do próprio Al Sadr, que esperava a interrupção das ações contra seus combatentes. O fato mostra o grau de radicalização que envolve o conflito do Iraque. Os fanáticos já não respeitam mais nem suas próprias lideranças.

Os radicais xiitas têm se constituído no principal obstáculo para a estabilização do país. Isto que o primeiro-ministro é um xiita. Mas os xiitas, historicamente, são um entrave para os governantes. Durante o governo de Saddam Hussein, que era apoiado pelos sunitas, os xiitas eram controlados pela força da ditadura. Agora, os EUA querem implantar a democracia no Iraque. Mas isto é algo estranho à realidade deles.

A propósito de governo de Saddam Hussein, um de seus homens de confiança está por ir a julgamento. Tariq Aziz foi chanceler, foi vice-primeiro-ministro e se constituiu no único cristão entre os assessores de Saddam. Lembro de te-lo entrevistado por ocasião da Rio-Eco-92. Falava na ocasião dos múltiplos negócios que o Iraque tinha com o Brasil. Vale lembrar que as nossas construtoras estavam presentes na implementação de estradas no Iraque e a Volkswagen brasileiro produziu um modelo de carro, especialmente para aquele país, que ganhou o nome de “Passat Iraquiano”. Não poderia imaginar na ocasião que aquele homem simpático e bem falante viria a ser preso e enfrentar um julgamento que, como o de seus antecessores, poderá levá-lo à morte.

Esta é mais uma das múltiplas contradições deste país chamado Iraque.

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