A ONU e a fome mundial
A ONU está encontrando um momento sem precedentes para mostrar a sua importância perante a comunidade mundial. Muito se tem cobrado da organização uma atuação mais efetivo em busca da paz entre as nações. Neste aspecto, a ONU tem feito o que pode. Porém, muitas ações escapam ao seu controle, como foi o caso da guerra no Iraque. Falou mais forte o poderio dos EUA e o organismo nada pode fazer.
Agora, o mundo se depara com uma alta generalizada nos preços dos alimentos. E a organização saiu para a linha de frente, com vistas a combater a fome no mundo. Um grande desafio, mas, seguramente, algo mais fácil de administrar do que a guerra. O secretário-geral Ban Ki-moon conclamou a comunidade mundial a doar 2,5 bilhões de dólares para um fundo destinado a levar alimentos para as nações mais pobres. É um primeiro e importante passo. Só que insuficiente. Como disse a diretora da organização humanitária Oxfam International, Celine Charveriat, não basta ajudar as nações pobres dando-lhes comida. É preciso ajudá-las na plantação. Porém, mais do que isto, é preciso acabar com as distorções no comércio mundial. Por distorções se entende os subsídios que a Europa e os EUA concedem para os seus agricultores.
A propósito, o jornal inglês Financial Times, na sua edição de ontem, publicou uma matéria ressaltando que o Brasil sozinho poderia resolver a fome do mundo, fornecendo alimentos a preços acessíveis. Desde que acabassem os tais subsídios fornecidos pelos países ricos a seus agricultores. Convencer os países desenvolvidos a mudar essa prática é o grande desafio que se estabelece para a ONU, mas para ser tratado no âmbito da Organização Mundial do Comércio. É hora de o organismo mostrar que, se não resolve as questões das guerras, pode resolver o problema da fome.
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