China tenta ser vítima do Tibete

8.4.2008

Ao passar para o mundo a informação de que o próximo passo da resistência tibetana será organizar comandos suicidas para cometer ataques violentos, o governo chinês esquece o fato notório de que a filosofia dominante no Tibete é a do pacifismo. O país, que recebeu sobre si a pata do gigantesco tigre chinês, é uma monarquia religiosa que prega fundamentalmente a paz. O que, aliás, é expresso pelas ações do monges budistas, que circulam pelo país, vestidos com seu hábitos de cor laranja e pregando o entendimento.

No entanto, esse povo pacato sofre a intervenção chinesa desde 1951. Ou seja, desde dois anos após instalar-se o regime comunista, com a revolução vitoriosa de Mao Tsé-tung. Com isto, estabeleceram-se em Beijing e Lhasa dois regimes diametralmente opostos. Um ateu e comunista. O outro, religioso e monárquico. Não poderia dar certo.

O problema é que o Tibete tem todo o direito de viver como uma nação independente, mas não consegue. E tampouco se vislumbra que algum país possa intervir em seu favor, ousando enfrentar o poderio chinês. Assim, ficam só na ameaça de boicote aos Jogos Olímpicos. O que não é suficiente. Já tivemos um histórico de boicotes a Jogos Olímpicos. Em 1980, os EUA e uma série de outros países não compareceram à Olimpíada de Moscou, em protesto pela invasão do Afeganistão pela então União Soviética. Quatro anos depois, os soviéticos, em represália, boicotaram a Olimpíada de Los Angeles. Nada disto teve qualquer efeito prático.

Talvez os ataques denunciados por Beijing pudessem ter algum efeito. Mas, sabe-se que isto não é da índole dos tibetanos. É apenas uma estratégia do governo chinês, querendo se fazer de vítima.

Post to Twitter Post to Delicious Post to Digg Post to Facebook Post to StumbleUpon

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Security Code:

 

BUSCA

RÁDIO

NEWSLETTER

receber não receber

ARQUIVO

Login Assine o RSS Twitter


Esse blog foi criado com Wordpress . Todos os textos publicados são de autoria de Jurandir Soares. Dúvidas, críticas e comentários, entre em contato conosco .