A inabilidade política de Cristina
Dois aspectos estão caracterizando a conduta de Cristina Fernandez de Kirchner à frente do governo argentino. Um deles é a ganância. Ela resolveu colocar mão grande na lucratividade dos produtores do país. Justamente, o setor agropecuário que é o carro-chefe da economia argentina. Primeiro, impediu os pecuaristas de exportar a carne, para que houvesse grande oferta interna e, com isto, o preço não subisse, levando junto a inflação. Ou seja, o governo tenta controlar a inflação impedindo as exportações. Depois, foi aumentando, gradativamente, a taxa sobre as exportações de grãos. Hoje, por exemplo, a soja está taxada em 44%. Ou seja, o governo fica com quase a metade do que ganha o produtor.
Foram essas ações que levaram os produtores a deflagrar o seu protesto, que já dura 16 dias. É marcante que o chamado protesto do campo ganhou o apoio da cidade, manifestado através dos panelaços. Mesmo que o pessoal da cidade tenha ficado sem os produtos básicos para sua alimentação.
Então, o que se percebe: Cristina tem contra si os produtores e os consumidores. Assim, ao invés de tentar um diálogo com os manifestantes, resolveu endurecer e ridicularizar os produtores, dizendo que faziam “o piquete da abundância”. E disse que só negociava depois de levantada a paralização. Ou seja, mostrou inabilidade política, pois foi logo ao extremo. Hoje, teve que recuar, dizendo que se houver algum levantamento de bloqueio, ela poderá negociar.
Em suma, com pouco mais de três meses de governo e com o país desfrutando de um de seus melhores momentos na área econômica, Cristina consegue ter a maior manifestação anti-governamental dos últimos tempos.
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