Acordo não acaba com divergências

8.3.2008

(Artigo publicado no Correio do Povo, de domingo, 09/03/08)

O aperto de mão entre os presidentes da Colômbia, do Equador e da Venezuela, ao final da Cúpula do Rio, realizada em Santo Domingo, pôs fim à crise diplomática estabelecida entre os três países, mas não termina com as divergências na região. As diferenças ideológicas são muito grandes. Assim como também é grande a pretensão do venezuelano Hugo Chávez em permanecer ditando as regras na região, como também grande é a determinação do colombiano Álvaro Uribe de acabar com a guerrilha das Farc.

A guerra contra a narcoguerrilha na Colômbia vem sendo travada há cerca de 40 anos, mas nunca se avançou tanto no combate a esse câncer do país como no governo Uribe. O presidente colombiano assumiu em agosto de 2002. No dia da posse, enquanto prestava juramento no Congresso, a poucas quadras dali explodia um morteiro que matou 21 pessoas e feriu mais de 60. Outro morteiro atingiu a lateral do palácio presidencial de Nariño. Os dias subseqüentes foram de repetição de atentados pelos mais diversos pontos do país. Uribe não fechara ainda uma semana no governo da Colômbia e já contabiliza 165 mortes no país, em decorrência da ação da guerrilha.

No entanto, aos poucos ele conseguiu ir revertendo a situação. Além do incremento no combate à guerrilha, o país evoluiu signficativamente no aspecto segurança. Cidades como Bogotá, Cali ou Medellin, que eram focos permanentes de explosões de carros, de atentados e de atuação dos narcotraficantes, conseguiram reduzir substancialmente os índices de criminalidade. Bogotá inclusive passou a ser um “case” demonstrado pelo prefeito da cidade pela América Latina afora, inclusive aqui em Porto Alegre. Em maio de 2006, Uribe foi reeleito para a presidência da Colômbia com uma margem de votos que se aproximou do índice de popularidade que ele vinha desfrutando: 70%. Este alto índice foi conseguido não só pelo aspecto segurança. Veio logo atrás o índice de crescimento médio: 5%. Um balanço dos quatro primeiros anos de governo Uribe, mostrou reativação econômica, aumento dos investimentos privados e melhoria dos principais indicadores sociais. E isto teve seqüência. Hoje, o índice de crescimento do PIB é de 7,5%.

O sucesso no combate à guerrilha se deve em boa parte à substancial ajuda dos EUA que, através do Plano Colômbia, já despejaram no país 4,2 bilhões de dólares. E foi o sistema de logística americano, de rastreamento por satélite, que permitiu detectar o celular de Raúl Reyes e apontar o local em que se encontrava com os demais guerrilheiros abatidos em terras equatorianas. Sabendo-se que a guerrilha se comunica por telefone, rádio ou celular, se deduz que está encurralada.

Em suma, Uribe está bem amparado para continuar com suas ações. Chávez, de sua parte, vai continuar “trovando”. Como na questão da nacionalização das empresas colombianas estabelecidas na Venezuela. Ou no bloqueio do comércio entre os dois países. O que provocaria desabastecimento na Venezuela e aumento da inflação, que já é a mais alta da América do Sul.

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