Relatório esfria “guerra das papeleiras”

22.1.2008

A “guerra das papeleiras”, estabelecida entre Argentina e Uruguai em função da instalação de uma fábrica de celulose da Botnia na cidade uruguaia de Fray Bentos, na divisa entre os dois países, está com tudo para terminar da melhor maneira possível. A razão disto é o primeiro relatório ambiental de uma instituição independente que acaba deser divulgado. Depois de 70 dias de operações da empresa, estabelecida às margens do rio Uruguai, a conclusão é de que o ar em Gualeguaychú, no lado argentino, não sofreu nenhum impacto de gases contaminantes pela produção de celulose.

A conclusão é da organização ambiental internacional Green Cross, fundada e dirigida pelo ex-presidente russo Mikhail Gorbachev. “Os níveis no ar de dióxido de enxofre, do qual se derivam os possíveis gases mais perigosos que poderiam ser emanados da planta, não sofreram nenhuma variação, nem antes nem depois do início das operações da Botnia”, é o que diz Marisa Arienza, presidente da sede argentina da organização.

As informações estão contidas num documento de 29 páginas, que é assinado também por Nicolás Mazzeo, pesquisador do Departamento de Ciências da Atmosfera, da Universidade de Buenos Aires. Com tudo isto, os protestos do lado argentino continuam, com fechamento das pontes que ligam ao Uruguai. Usam o argumento de que a fábrica está operando com apenas 15% de sua capacidade. Porém, com os dados de uma organização internacional independente, ficará difícil de sustentar o movimento de bloqueio.

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