As razões do favoritismo de Cristina
A Argentina entra na semana final das eleições presidenciais para a sucessão de Néstor Kircher. Salvo algum grande acidente de percurso, a mulher do presidente, Cristina Fernandez de Kirchner, deve ser a sucessora.
Dois aspectos estão pesando nesse amplo favoritismo de Cristina. Um deles está ligado ao histórico fascínio que os argentinos têm por primeiras-damas. Já foi assim com Evita, que teria sido facilmente eleita, se não tivesse morrido de câncer aos 33 anos. Foi assim com Isabelita, que foi eleita vice de Perón e que assumiu quando o marido morreu, mas acabou sendo detonada pelo golpe militar de 1976. E está sendo assim agora com Cristina. Embora, seja preciso salientar, esta já vinha fazendo a sua carreira solo como senadora, enquanto o marido era governador da província de Santa Cruz.
Mas, indiscutivelmente, o que mais pesa para que Néstor Kirchner faça o seu sucessor é a situação econômica do país, hoje com um crescimento médio do PIB da ordem de 9%. Isto para um país que em 2001 foi ao fundo do poço. Literalmente quebrou. Acabou-se naquala ocasião a ilusão da paridade do peso com o dólar e o preço pago pelos argentinos foi muito alto. Tiveram sua poupança caçada e enfrentaram um crescimento negativo de 11%. Foi o nefasto período de sua história em que, em menos de um mês, tiveram cinco presidentes.
Os argentinos começaram a sair do sufoco com Eduardo Duhalde. Mas foi Kirchner quem resgatou-lhes a confiança. Bateu de frente com o FMI. Impôs aos credores o quanto iria pagar pelos títulos da dívida e encarou um possívl boicote dos organismos financeiros inrernacionais, pelo calote que praticara. Até agora, os números têm demonstrado, têm-se saído bem, apesar de múltiplas incertezas sobre o futuro. Mas, em que parte do mundo há certeza sobre o futuro?
É por isto que Cristina está disparada nas pesquisas.
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