Os novos rumos de Cuba

9.10.2007

Quanto mais homenagens são prestadas a Che Guevara, pelo transcurso dos 40 anos de sua morte, novas revelações vão surgindo, desmistificando a figura lendária do guerrilheiro. A mais recente publicação é de autoria do escritor e dissidente cubano Jacobo Machover, que escreveu o livro “La cara oculta de Che”. É mais um a apresentar Che como um dos praticantes das execuções que se tinha conhecimento à época da revolução cubana. Segundo o autor, Che “não hesitava em executar pessoalmente todos que considerava traidores”.

Em Cuba, a terra em que Che mais marcou a sua presença, as homenagens lideradas por Raúl Castro, tiveram um caráter inovador. Em tom crítico, o irmão de Fidel listou erros da revolução e ressaltou a necessidade de ajustes estruturais e soluções demandadas pelos novos tempos.

Ontem à noite, em conversa com outro dissidente cubano, Carlos Alberto Montaner, que veio palestrar hoje aqui em Porto Alegre no seminário Fronteiras do Pensamento, pude reforçar a teoria que vem predominando no que toca a Cuba. Ou seja, logo que Fidel morrer, Raúl vai ampliar substancialmente a abertura da economia, conforme já foi feito para a área do turismo. Porém, será, dentro do possível, uma abertura ao estilo chinesa, ou seja, abre-se a economia, mas se mantém o sistema político centralizado no partido único. Isto, como disse Montaner, dentro do possível, porque Cuba não tem a força da China para resistir à pressões que virão de fora – especialmente dos EUA – por abertura política.

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