Iraque, entre a extensão da guerra e a partilha

27.9.2007

O presidente do Iraque Nuri Al-Maliki fez ontem na ONU um dos pronunciamentos mais realistas sobre as conseqüências da guerra que atinge o seu país. Disse que se não houver uma ação internacional forte, a guerra sectária que hoje se restringe ao país pode se espalhar por toda a região. O que é a mais pura verdade.

Ocorre que no Iraque estão concentradas três comunidades que se odeiam: xiitas, sunitas e curdos. Ao tempo de Saddam Hussein, que era apoiado pelos sunitas, havia uma controle sobre as divergências em virtude da força do governo. A derrubada de Saddam e a desmontagem do seu exército acabaram com esse equilíbrio. As três comunidades passaram a se matar mutuamente. E o risco desse conflito se estender para países vizinhos está no fato de que, cada um deles, detém também alguma dessas comunidades. Além do Iraque, há xiitas, sunitas e curdos no Irã, na Síria, na Turquia. Nos demais países da área há pelo menos xiitas e sunitas, com seus respectivos ódios, que estão adormecidos, mas que podem ressurgir na medida em que o conflito transpor a fronteira do Iraque.

Daí a sugestão que está fazendo o pré-candidato democrata à presidência dos EUA, Joseph Biden: dividir o Iraque em três estados religiosos, cada um com autonomia, mas sob o controle do governo central. Para isto, no entanto, será necessária a existência de um exército e um governo iraquianos fortes, o que não se vislumbra.

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