Racha pode levar a Estado Palestino
O racha que se deu entre os palestinos, com o islâmico Hamas dominando Gaza e o laico Fatah controlando a Cisjordânia, abre uma nova e crucial discussão: a possibilidade de se criar o Estado Palestino na Cisjordânia. Afinal, o Fatah de Mahmoud Abbas goza da simpatia dos EUA e da União Européia, principais financiadores dos palestinos, e tem aberto o canal de negociação com Israel. Estaria apto a assumir um governo palestino, cuja área territorial englobaria a maior parte da Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Ficando Gaza para ser incorporada mais adiante.
A rigor, a idéia para viável. A separação territorial do Fatah e do Hamas, que têm idéias opostos sobre o processo de paz, estaria facilitando a situação. O problema é que existem alguns entraves de ordem prática. Abbas não pode deixar o um milhão e meio de palestinos que vivem em Gaza no desamparo. Mas ele não poderá também ir levar ajuda, porque o Hamas não deixará. E o que é pior, formando um governo na Cisjordânia sem a participação do Hamas, Abbas e o Fatah estarão sujeitos às ações de retaliação. E, neste caso, entenda-se os atos terroristas do Hamas e do Jihad Islâmico.
Aliás, a tendência agora aponta para um acirramento dos confrontos entre o Hamas e o Fatah. E essa tendência é explicada pelo médico e ativista palestino Iyad Elsarraj. Ele cita um elemento psicológico na luta interna dos palestinos. E explica pelo fato deles terem passado anos a fio sendo massacrados por Israel, sem conseguir reagir à altura. Então, com a retirada israelense de Gaza, a energia que era usada contra o inimigo comum voltou-se contra a própria comunidade. Ou, o elo mais fraco.
Assim, nesse cenário tudo se torna mais difícil.
Até mesmo a criação desse Estado Palestinos na Cisjordânia.
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