Bush começa a se render ao Irã
A reunião de ontem em Bagdá, entre os embaixadores dos EUA e do Irã, pode se constituir num aspecto marcante sobre o futuro do Iraque. Tenho insistido que a pacificação iraquiana passa por um acordo com Irã e Síria, porque são justamente os dois países que têm influência, respectivamente, sobre as comunidades xiitas e sunitas, que são as duas que estão numa luta fratricida no Iraque.
Os EUA romperam relações com o Irã em 1980, depois que um grupo de jovens invadiu a embaixada americana em Teerã e manteve um grupo de pessoas como reféns por 444 dias. Desde então, os dois países não se falavam. Só se acusavam mutuamente. Agora, finalmente, se abriram para o diálogo. “Uma reunião de negócios”, como disse o embaixador americano Ryan Crocker.
E é mesmo. Os dois países se viram forçados a ir a uma mesa de negociações não porque estejam interessados em fazer as pazes um com o outro, mas porque um depende do outro para os seus objetivos. Os EUA dependem do Irã para sair do atoleiro em que se meteram no Iraque. E o Irã depende dos EUA para poder levar adiante o seu programa nuclear. Esse, mesmo que seja com fins pacíficos, apenas para a geração de energia, conforme alega o governo iraniano, tem a recusa dos EUA.
Pois, diante da nova situação criada, não é de se duvidar de que, daqui a alguns dias, o presidente Bush esteja dizendo que os EUA concordam com o programa nuclear iraniano, porque se certificaram que ele é exclusivamente com fins pacíficos. Este pode ser o preço do negócio em andamento.
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