Bush quer a ajuda de quem ele pisoteou

26.5.2007

Diante da sinuca de bico em que se meteu no Iraque, o presidente Bush veio com duas preciosidades. Uma delas para tentar enrolar os seus conterrâneos. Disse que informações de inteligência garantiram que Osama Bin Laden conspirava em 2005 para transformar o Iraque em uma base da Al Qaeda para ataques contra os EUA. Ora, não se precisa de serviço de inteligência para saber que a Al Qaeda se estabeleceu no Iraque. Onde, é preciso ressaltar, não se encontrava antes da invasão americana. A Al Qaeda e seu líder maior Bin Laden estavam no Afeganistão. Lá onde os EUA iniciaram a sua caçada e onde deveriam ter continuado. Mas a tarefa era difícil. Os soldados americanos não tinham conhecimento para agir nas inóspitas montanhas do Afeganistão, onde os terroristas se escondiam. Além do mais, o staff petrolífero liderado pelo vice-presidente Dick Chiney e que dá apoio a Bush já tinha pronta a sua estratégia para a tomada do Iraque e de seu petróleo.

Como os EUA deixaram o Afeganistão de lado e, ao mesmo tempo, provocaram a desestruturação do Iraque, a Al Qaeda se reestruturou no território afegão e sentiu as condições favoráveis estender suas ações para a área iraquiana. Aliás, no Afeganistão a Al Qaeda está tão à vontade que até já nomeou uma nova liderança para aquele país, que é Mustafá Abdul Aziz. Assim é que atuação da Al Qaeda na região não é novidade nenhuma, como tampouco é novidade o fato de que a organização, sempre que possível, irá agir contra os EUA.

Já a outra preciosidade de Bush foi revelada nesta quarta-feira pelo jornal britânico “The Gaurdian”. A administração Bush está preparando a “internacionalização” da ocupação do Iraque. Para isto, deverá recorrer às Nações Unidas e a potências européias e árabes para que se envolvam no conflito, se a estratégia de mandar mais soldados americanos para aquele país se tornar, realmente, infrutífera. Esta idéia teria sido passada a Bush pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque, que tem à frente duas lideranças veteranas, uma republicana, o ex-secretário de Estado James Baker, e outra democrata, o ex-senador Lee Hamilton.

Esta estratégia seria de dar risadas, se a situação do Iraque não fosse trágica. Ora, quando George Bush resolveu invadir o Iraque, a ONU estava lá, com os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica fazendo as investigações para saber se Saddam Hussein possuía ou não as armas de destruição em massa que Bush alegava ter. O então secretário-geral da ONU Kofy Annan pediu a Bush que deixasse os inspetores concluírem seu trabalho para tomar qualquer atitude contra o Iraque. Bush não deu a mínima, ordenou o ataque e os inspetores da ONU tiveram que sair às pressas do país para levarem bomba pela cabeça. Bush tampouco deu ouvidos às lideranças européias, como o então presidente francês Jacques Chirac, ou o então premiê alemão Gerhard Schroeder, que se opuseram ao ataque. Assim como também foi contra o ataque o rei Fahd da Arábia Saudita. Mas agora, como todas essas lideranças já foram substituídas no poder, vem a estratégia para tentar envolver suas novas lideranças.

É certo que, por questões humanitárias, todo o mundo deve ajudar a resolver o conflito do Iraque. Mas, o que caberia dizer agora a Bush é que, “você que pariu Mateus, que o embale”. Mas o mundo, felizmente, não pensa como Bush. Agora, uma coisa não poderia faltar: a exigência de que o presidente Bush fosse até a ONU e apresentasse ao mundo o seu pedido de desculpas pelo que fez no Iraque. Mas isto, evidentemente, é utopia.

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