União e Estado palestinos seguem sendo ficção

18.5.2007

Uma das observações que mais se tem ouvido ultimamente, vinda do Oriente Médio, é de que foi acertado um novo cessar-fogo entre as facções palestinas. Na esteira dessa repetição estão implícitas as múltiplas violações a esses acordos, que implicaram em mais mortes entre os palestinos. Já passam de 40 só nesta semana nessa luta entre o Hamas e o Fatah.

Mas, afinal, qual é a origem desta luta entre os palestinos? Pois tudo começou em janeiro do ano passado, quando o grupo Hamas, que é considerado terrorista por Israel, EUA e União Européia, venceu as eleições legislativas palestinas e habilitou-se a indicar o primeiro-ministro. Com isto, colocava fim a quatro décadas de predominância do grupo Fatah que, diferentemente do Hamas, não tem vínculo com o islamismo, é secular.

A vitória do Hamas implicou numa imediata suspensão da ajuda financeira que a União Européia fornece aos palestinos para a sustentação de sua máquina administrativa. Cerca de 150 mil funcionários públicos dependem dessa verba para receber seus salários. Para tentar amenizar os problemas e voltar a receber ajuda, os dois grupos resolveram formar um governo de coalizão. O Hamas ficou com o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, e o Fatah com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Foi um acerto apenas pró-forma. Na prática não funcionou. O fato de o Hamas não reconhecer a existência do Estado de Israel fez com que a maior parte da ajuda externa não fosse restabelecida. O governo, dividido, não conseguiu funcionar. A falta de dinheiro ajudou a acirrar as animosidades e o que se tem visto é essa sucessão de confrontos.

Porém, como se não bastasse o conflito intra-palestino, o Hamas, irresponsavelmente, decidiu atacar Israel, expondo a comunidade palestina à reação israelense.     Toda essa situação vem apenas comprovar que o governo de união, formado há dois meses entre o Fatah e o Hamas, sob os auspícios da Arábia Saudita, não passou de ficção política. Assim como ficção segue sendo o tão almejado Estado palestino.

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  1. Jurandir, agora até fiquei sem entender: normalmente no mundo árabe são os grupos islâmicos (em suas facções radicais) os nascedouros do terrorismo (pelo menos é o que se diz aqui no Ocidente).
    Como que na Palestina é diferente? O Fatah, islâmico, porém “ocidentalizado” – recebia ajuda da E.U. – e o Hamas, secular e terrorista.
    Qual a origem desta postura radical do Hamas? Seriam eles minoria étnica oprimida durante estes 40 anos de domínio do Fatah?
    Abraço
    Raul

    Comentário by Raul Kothe — 18/5/2007 @ 4:46 pm

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