A trágica herança das Malvinas

3.4.2007

“Volveremos”. Este foi o mote principal da manifestação desta segunda-feira, em Ushuaia pelos 25 anos do início da Guerra das Malvinas. Surpreendentemente, o presidente Kirchner, que tem feito da causa das Malvinas um trampolim de sua campanha política, não compareceu ao ato realizado na capital da província da Terra do Fogo. Ficou-se sabendo depois que sua ausência deveu-se a protestos que professores em greve preparavam contra o chefe da nação. Assim, medindo o custo benefício, Kirchner achou melhor ficar fora.

Mas o seu vice, Daniel Scioli, não deixou de entoar o canto ainda dominante no país, dizendo que “nem guerra, nem o tempo, podem alterar a realidade. As Malvinas são argentinas”. Só que, para isto é preciso fazer um acerto com a Inglaterra, que tem até outro nome para as ilhas: Falkland. Para tentar qualquer mudança só há um caminho para a Argentina: a via diplomática. Até porque, o custo da fracassada guerra de 1982 foi muito alto. Além dos 649 soldados argentinos que morreram, os veteranos da guerra apresentam múltiplos problemas. Pesquisa realizada com veteranos da cidade de Lanús, na Grande Buenos Aires, mostra que ao menos 40% tentaram se suicidar ao menos uma vez, que quase metade já teve problema de alcoolismo, 80% têm problemas para dormir e 60% já sentiram que estariam melhor mortos. Esta é outra trágica herança do conflito.

Daí a necessidade de que esse “volveremos” seja conseguido pela via da negociação.

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