Uma chance para a Irlanda do Norte

27.3.2007

O acordo estabelecido entre as facções rivais para governar a Irlanda do Norte tem um significado muito importante. Quem não se lembra dos recentes acontecimentos da Irlanda, em que crianças católicas ficaram impedidas de irem às aulas em Belfast, porque tinham que cruzar por um bairro protestante, onde sofriam ameaças as mais diversas. Era inconcebível que nos dias de hoje o mundo ainda presenciasse uma disputa que remonta ao período da reforma introduzida por Lutero. Isto, em plena Europa dita civilizada.

O foco da questão atual está no fato de os protestantes, que são maioria na Irlanda do Norte, quererem a manutenção da região como parte do Reino Unido, enquanto que os católicos querem a reunificação da ilha, ou seja, que a Irlanda do Norte faça parte da Irlanda, que é uma república de predominância católica. A raiz dos acontecimentos está no fato de a Inglaterra, ao ter cedido a independência para a Irlanda, em 1932, ter conservado para si os seis condados que formam a Irlanda do Norte. O surgimento do IRA, o Exército Republicano Irlandês, deu conotações de luta armada. Engajou-se nesta justa luta pela reunificação, mas extrapolou os limites ao apelar para o terror.

Em 10 de abril de 98 foi assinado o chamado Acordo da Sexta-Feira Santa, estabelecendo a deposição das armas e um governo de coalizão para a Irlanda do Norte. O governo se instalara, mas as armas nunca haviam sido depostas. A última tentativa de formar um governo de coalizão ocorreu em 2002. Fracassou após acusações de espionagem por parte do IRA. O diferencial no presente acordo é que no ano passado o IRA anunciou a sua renúncia à luta armada. É por isto que, finalmente, possa surgir um governo unificado na Irlanda do Norte.

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