Coréia do Norte segue desafiando

14.3.2007

A Coréia do Norte nunca escondeu de ninguém que estava desenvolvendo uma bomba atômica. E entrou numa espécie de jogo de pôquer com as grandes nações. Chegou até a anunciar que realizaria um teste nuclear. Ninguém acreditou muito. Ou seja, o mundo pagou para ver. E viu. Em outubro do ano passado a Coréia do Norte realizou o seu primeiro teste nuclear. E ainda por cima testou um míssil de longo alcance, lançado por sobre o território do Japão.
No entanto, os esforços da comunidade internacional conseguiram convencer o regime comunista a por fim ao programa. Ou, melhor dizendo, o regime do ditador Kim Jong-Il conseguiu o que queria. Fez-se de louco para tirar vantagens. Ameaçou o mundo com a bomba atômica, para que este lhe desse ajuda financeira em troca da desistência do programa nuclear. E conseguiu.
A Coréia do Norte é um país pobre, de economia centralizada e que depende de ajuda externa para alimentar seus 23 milhões de habitantes. O Governo tem se notabilizado pelo personalismo e pela repressão aos dissidentes do regime. Isto já vem desde a década de 70, com Kim Il-Sung. Este, já desde aquela ocasião tinha planos para a bomba atômica. Morreu, em 1994, sem concretizar o plano, mas deixando tudo aplainado para seu filho Kim Jong-Il, que vinha sendo preparado há vários anos para assumir o poder. Assumir, logicamente, nos mesmo moldes do pai, no sentido absolutista. E ele agora está concluindo o seu projeto.
Projeto que deu um passo importante no último dia 12 de fevereiro. China, Rússia, Japão, EUA e Coréia do Sul estabeleceram com a Coréia do Norte um acordo para tirar esse ator perigoso do circuito atômico Pelo que ficou acordado, a Coréia do Norte abre mão de seu programa nuclear e, em troca, recebe polpudos volumes de petróleo bruto, entre outras coisas. Além disto, se estará negociando um acordo de paz entre as duas Coréias, tendo em vista que o que está em vigor hoje é um cessar-fogo estabelecido em 1953.
Mas, quando parecia que estava tudo resolvido, Kim Jong-Il deu mais uma estocada. O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, que foi a Piongiang esta semana, não foi recebido. Voltou para Nova York sem ter conversado com as autoridades do setor nuclear norte-coreano.
Assim, a grande incógnita com a Coréia do Norte segue sendo quanto ao cumprimento do acordo. Kim não tem um histórico confiável. Mas, no atual contexto, também não possui muitas alternativas. A própria China que lhe dá apoio o induziu ao acordo. Assim, surge para o país a oportunidade de deixar de ser um paria na comunidade mundial.
De qualquer forma, por esses aspectos, o fato merece uma ação muito firme da comunidade internacional, sob pena de o planeta ficar sujeito aos humores de um temperamental ditador de país do terceiro mundo.

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