Bush abre oportunidade para o Brasil

11.3.2007

Desde que se atolou no Iraque o presidente George Bush deixou de lado a América Latina. O resultado foi que pintou um novo galo no antigo quintal norte-americano. O galo Hugo Chávez, que está cantando de norte a sul do continente e desfraldando a bandeira do bolivarismo. Contando para isto com o respaldo do mais ilustre desafeto norte-americano na área, o cubano Fidel Castro que, apesar de afastado do cargo, ainda tem a força de seu carisma. Às vésperas de iniciar sua visita pela América Latina, esta semana, o presidente Bush resolveu contra-atacar Chávez, usando as mesmas armas do seu rival, ou seja, a ajuda econômica e social e a bandeira de Simon Bolívar.

O pacote latino-americano de Bush tem três pontos básicos: o navio-hospital, para atender comunidades carentes, o programa de aprendizado de inglês para jovens latino-americanos, e o programa de financiamento da casa própria. O objetivo com o navio, é tratar 85 mil pacientes e realizar mil e 500 cirurgias. Ou seja, tenta contra-atacar o programa de Chávez, em parceria com Fidel, que está distribuindo médicos cubanos entre as populações menos favorecidas da Venezuela e da Bolívia. Outro contra-ataque de Bush nesse sentido vem com o estabelecimento no Panamá de um centro de treinamento de profissionais da saúde. Visará atender a América Central e a América do Sul.

O programa latino de Bush, deve-se ressaltar, não é novidade na região. Isto vem sendo desenvolvido desde que Fidel assumiu o poder em Havana, a 1º de janeiro de 1959. O primeiro desses programas foi a “Aliança para o Progresso”, lançado pelo então presidente John Kennedy, em 1961, depois de ele ter fracassado na tentativa de invadir Cuba, no famoso episódio da Baía dos Porcos. Não deu em nada.

A visita de Bush, com todas suas contradições, pode ser um indutor para a retomada do crescimento brasileiro. Está aí a questão do etanol, com essa enorme perspectiva de abertura não só do mercado americano, mas do mercado mundial. E na extensão vem o objetivo de Bush. Segundo o Diálogo Interamericano, um dos principais centros de estudos de relações hemisféricas, sediado em Washington, os EUA podem ajudar o Brasil no âmbito de suas pretensões na Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU, como forma de fortalecer sua liderança regional. Com vistas, evidentemente, a se contrapor à influência de Hugo Chávez.

A propósito, a visita do presidente Bush ao Brasil gerou, como não poderia ser diferente, muitos protestos. O mote principal é o epíteto de Senhor da Guerra. Que de fato o é. Bush vem à América Latina num momento em que as tropas americanas estão atoladas no Iraque, em decorrência da nefasta estratégia por ele traçada. O próprio presidente Lula sempre se posicionou contra a guerra.

Tudo isto, no entanto, não poderia servir de justificativa para rejeitar a visita do dirigente americano. Somos contra a guerra, mas não somos contra os negócios com os EUA. Afinal, com guerra ou sem ela, os negócios continuam. E se continuam, vamos discuti-los. Pois bem, aqui estamos falando de negócios aproveitando-se de um produto do qual detemos a tecnologia e a sua transferência para o mercado internacional, com o que, estaremos auferindo recursos que promoverão o crescimento interno, a geração de mais empregos e, por extensão, diminuição das desigualdades sociais.

É nisto que temos que temos que apostar. Não precisamos de navio-hospital ou de financiamento habitacional de outros países. O que precisamos de países como EUA e os europeus é que negociem limpo. Que acabem com discurso enganoso de cobrar livre comércio, quando estabelecem as mais diversas barreiras protecionistas. E esta, agora, é a oportunidade para o Brasil.

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