Radicalização em alta na América Latina

4.2.2007

O choque de ideologias se torna a cada dia mais contundente na América Latina. Embora o mais expressivo líder da esquerda, Fidel Castro, esteja afastado do cenário político, o seu mais fiel seguidor, Hugo Chávez, segue em ação. E uma ação mais aprimorada que a do mestre. Sim, porque Fidel Castro teve que fazer uma revolução para chegar ao poder e exerce-lo de forma absolutista. Chávez está sendo mais hábil. Chegou ao poder através da via democrática. E, moldando esse canal de expressão popular, vai adquirindo seus poderes absolutos. Como está conseguindo agora, quando o Parlamento, eleito pelo voto popular, lhe concede plenos poderes para governar por decreto durante um ano e meio. E o pior é que a oposição chia, mas é co-responsável pelo que está havendo. Quando decidiu boicotar as eleições legislativas, acabou fazendo o que Chávez mais queria. Deixou o caminho aberto para a eleição somente de partidários de Chávez para a assembléia. Esses submissos deputados votaram de forma unânime na concessão de plenos poderes para Chávez.

Assim, o líder bolivariano vai poder tratar como bem quiser de questões como energia, telecomunicações, segurança, finanças, impostos, defesa, etc. Sem contar a questão da constituição, que ele quer mudar para poder se eleger indefinidamente. Ali próximo, no Equador, o outro adepto do “socialismo do século 21”, Rafael Correa, não conseguindo convencer os deputados a aceitar uma mudança de constituição, mandou os seus correligionários invadir a Câmara.

Mas, enquanto os presidentes populistas da América Latina, sob a liderança de Hugo Chávez, reforçam a sua aliança anti-americana, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, coloca em prática a fase 2 do Plano Colômbia que tem apoio integral dos EUA. Trata-se, segundo o presidente, de uma estratégia de cooperação contra o narcotráfico. Baseada na co-responsabilidade entre a oferta e a demanda de drogas ilícitas. O resultado final dessa colaboração não é fácil de ser alcançado, pois objetiva não só diminuir a produção da droga na Colômbia, como seu consumo em países industrializados.

Para diminuir a produção, Uribe vai utilizar uma espécie de bolsa família. Sabe-se que na vizinha Bolívia já houve a frustrada tentativa de fazer com que os agricultores deixassem de produzir coca, passando a plantar hortigrangeiros. O fracasso do programa de substituição se deu porque os nativos vendiam a coca para os traficantes ali mesmo no local de produção. Para vender os hortigrangeiros eles tinham o trabalho e o custo adicional de levar o produto até os centros consumidores. Daí o fracasso.

Uribe resolveu fazer como Lula e como Chávez: dar dinheiro para os nativos. Colocou em prática o programa “famílias guardas florestais”. A contrapartida é que, ao invés de produzir a coca, eles vão se transformar em guardas florestais. Não precisam produzir nada. Vão ganhar apenas para cuidar, para que na área sob sua vigilância não seja produzida coca. Segundo o governo, 43 mil hectares de coca já foram erradicados através do programa, que já tem 50 mil famílias cadastradas. O objetivo é chegar a 120 mil famílias.

Bem, com isto se percebe que Uribe está fazendo a sua parte, que é no que toca à oferta de droga. Resta saber como será cumprida a outra, que se refere à demanda. Especialmente nos países industrializados. Esta é outra história.

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